Supermercados se munem de dados para negociar com a indústria

by Luciana Felix | 14.09.2021 09:37

O setor supermercadista contratou a Fundação Instituto de Administração (FIA) para fornecer dados às lojas nas negociações envolvendo aumentos de preços das indústrias. A iniciativa visa fornecer mais dados aos supermercados para que eles possam se antecipar a movimentos e tentar evitar aumento abusivo de preços.

A FIA já entregou uma análise relativa a arroz, que mostra concentração de venda para mercado interno e produção localizada no Sul. Os supermercados também foram informados que o aumento de “custo de produção” e a alta dos “combustíveis” não são capazes de explicar o avanço no preço do arroz. Logo, as lojas associadas à Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e que recebem essas análises podem usar as informações para pressionar os fornecedores.

Novos estudos com óleo, carne bovina e suína, ovos, leite, milho e trigo já estão sendo produzidos.

De acordo com a Abras, aumentaram as ofertas de novas marcas a clientes nas gôndolas. Há produtos, segundo a entidade, com até dez opções — em leite, tem chegado a sete em certas redes — e se espantou com o volume de novos fornecedores aparecendo nas prateleiras. Essas mudanças envolvem renegociações comerciais entre varejo e indústria, um ponto sensível, a depender no estágio das conversas. É que espaço ou local de exposição faz parte dos acordos comerciais e incentivos de venda. Quando a loja põe novas marcas nas prateleiras, isso envolve renegociar certas condições com marcas líderes, até porque há espaços limitados.

Os supermercados ainda informaram um aumento de consumo de produtos para lanches, como bolos e pães, e de produtos menos saudáveis, na visão de nutricionistas, como massas instantâneas. A alta na venda de bolos e rocamboles foi de 10%, de pães industrializados, de 11,5%, e de massas instantâneas, 3,7%, em julho, com base em dados da Nielsen.

A Abras informou ainda que há uma desaceleração na taxa de crescimento do setor no ano, em parte, pela base de comparação mais forte de 2020 a partir de março. Mas se esse desaquecimento continuar, a entidade pode rever a projeção do ano, numa análise a ser feita em setembro. Até junho, a alta era de 4% e foi para 3,2% em julho. A projeção da Abras é de um aumento de 4,5%, em termos reais, em 2021.

Fonte: SA. Varejo

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