Compras por impulso devem diminuir 88,4% após pandemia

14 . Maio . 2020 Print This Article

A proliferação da covid-19 e o isolamento social parece estar mudando o comportamento dos brasileiros, não só em relação ao trabalho e a convivência dentro de casa, mas também o consumo de produtos e serviços. Ou seja, novos hábitos e prioridades surgem por aí, de acordo com o estudo realizado pela Hibou, empresa de pesquisa e monitoramento de mercado, em parceria com a Indico, plataforma de dados.

O levantamento feito entre os dias 17 e 18 de abril, com mais de 3 mil brasileiros, revelou as principais mudanças que já estão acontecendo: 64,8% dos entrevistados sentiram o impacto negativo do isolamento em seus ganhos financeiros, enquanto para 32,5%, os ganhos permanecem os mesmos. Somente para uma minoria de 2,7%, os impactos desse novo momento foram muito positivos.

“Alguns setores souberem se adaptar mais rápido, utilizando o delivery de alimentos ou a inclusão de novos produtos, como máscaras descartáveis e álcool em gel, e com isso, trouxeram uma nova renda ao seu negócio”, explica Ligia Mello, responsável pela pesquisa e fundadora da Hibou.

Além disso, mais da metade dos brasileiros (53,7%) têm evitado fazer qualquer tipo de compra desnecessária, enquanto 34,7% têm medido melhor a necessidade do seu consumo. Uma pequena parcela da população (5,6%) está aguardando para retomar os seus hábitos de compra, enquanto para outra parte, de 6,2%, nada mudou nesse quesito.

Como vai ser após a quarentena?

Por todas essas razões, 88,4% dos brasileiros pesquisados disseram que pretendem comprar menos por impulso, pensando mais no que vai gastar. Isso vale inclusive para aquelas marcas famosas, já que 72,2% afirmam que estão menos dispostos a pagarem mais caro por um produto, só por ser de uma marca famosa que gostam.

Em compensação, o consumo local vem ganhando cada vez mais espaço, com 61,5% deles dizendo que estão mais dispostos do que antes a pagar um pouco mais caro por um produto que ajude a sua região ou cidade.

Isso significa que se até o dia 15 de março, 31,9% dos brasileiros tinham o shopping como o seu local preferido para as compras, após o isolamento, mesmo sem data definida, 40% dos brasileiros querem criar uma nova rotina, que misture um pouco de tudo, incluindo a valorização do comércio dos seus bairros (31,2%). Além disso, 17,7% dizem que, definitivamente, a sua primeira opção de escolha para fazer compras passou
a ser o e-commerce.

Tornar a casa um espaço mais confortável e fazer viagens também são alguns dos planos de investimentos dos brasileiros, após a quarentena. As viagens ficaram em primeiro lugar na pesquisa, com 29,1% das pessoas dizendo que vão aumentar os seus gastos, enquanto as reformas ganharam um aumento de 12,3% no interesse. Para 48,5% dos brasileiros, o ritmo será mantido.

A pandemia fez com que o consumidor acredite inclusive que as marcas possuem um papel importante, que vai além dos seus produtos e serviços, e passa por mais atitudes. Por isso, 95,9% passaram a valorizar as marcas mais conscientes e 74,62% notaram alguma grande marca tomando atitudes relevantes, neste momento de combate ao coronavírus. As mais citadas foram: Ambev, Itaú, Magalu, Boticário, Ypê, Americanas, Seara, Natura e Bradesco.

“Desta vez, quem vende e quem compra não estão em lados diferentes da equação, mas do mesmo lado de uma luta quase invisível. Isso muda, mesmo que por uma janela de tempo limitada, o que significa ser uma marca ou empresa relevante, e abre porta para uma memória afetiva muito mais duradoura,” conclui Marcelo Beccaro, também responsável pela pesquisa, e fundador da Hibou.

Fonte: Super Varejo

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