Destinação adequada de resíduos em supermercados catarinenses chega a 97%

02 . fev . 2017 Print This Article

Em Santa Catarina, um programa cujo objetivo é reduzir a quantidade de lixo enviada para aterros sanitários tem excelentes resultados. A destinação adequada de resíduos sólidos chega a 97%.  De acordo com a Associação Catarinense de Supermercados (Acats), criadora do programa “Supermercado Lixo Zero”, a redução no volume encaminhado aos aterros mensalmente é de 600 toneladas.

A iniciativa, que surgiu há seis anos, teve projetos-piloto com planos de gestão e manejo implementados nos supermercados Angeloni – com 27 unidades – e Hippo, que tem quatro lojas e detém a marca de 97% de reaproveitamento dos materiais.

Os números são expressivos, principalmente por ser uma ação setorial realizada em um único Estado. Em todo o País, somente 15% da população conta com programas de coleta seletiva, segundo dados do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre).

Para se ter uma ideia do cenário nacional, a mais recente radiografia Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil (2016), feita pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), aponta que a geração de resíduos sólidos no Brasil cresceu mais de 26% na última década (2005-2015).

Do lixo para a horta

Na opinião do diretor comercial do Hippo, Josiano Saqueti, seja em pequenas ou grandes ações, o desafio está na construção de uma cultura de coleta seletiva. “Nos deparamos com a dificuldade que os colaboradores tinham para ver a importância da coleta seletiva. Quebramos esse paradigma e hoje existe uma cultura muito forte desse ciclo na empresa, que resultou nesse alto índice de tratamento de materiais.”

Segundo o diretor, só não é reaproveitado o lixo dos banheiros das unidades. “Nossos resíduos orgânicos [como frutas, legumes e outros alimentos] são enviados a uma processadora de material orgânico, onde é feita a compostagem que os transforma em adubo.”

Saqueti explica que o fertilizante rico em nutrientes possui dois destinos: a horta orgânica que a rede mantém para produzir alimentos, que são comercializados nas lojas; e os clientes, que recebem o adubo em troca de pontos em um programa de fidelidade da empresa.

Já a recuperação do papelão e do plástico é feita a partir do recolhimento de um representante da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Florianópolis.

A fim de garantir essas separações e a destinação correta dos itens por categorias, as quatro lojas da rede possuem lixeiras sinalizadas. Os materiais são recolhidos diariamente por empresas parceiras que possuem certificação.

As iniciativas renderam reconhecimentos à companhia, como o “Certificado Internacional de Reaproveitamento”, em 2011, que comprovou o encaminhamento correto de 97% dos resíduos produzidos em suas unidades.

Benefícios sociais

A falta de conhecimento sobre o valor dos resíduos e os danos causados pelo descarte incorreto também foi o entrave enfrentado pelo supermercado Angeloni durante a implementação do programa em suas 27 lojas, em 2012.

“Dentre os vários desafios, um dos principais foi mudar a cultura dos funcionários, fazendo com que todos entendessem da mesma forma a necessidade e impactos de suas ações”, conta o diretor operacional e de expansão da rede, Atanázio dos Santos Neto.

Mas os índices de destinação correta da rede sinalizam que a companhia driblou os entraves. “O tratamento de materiais tem um índice médio de 90%”, diz o diretor.

Além do viés ambiental, outro ponto valorizado é o social. Isso porque um dos campos de compostagem que recebem os resíduos orgânicos das lojas e os transformam em adubo é em um centro de recuperação de dependentes químicos. “A atividade laboral contribui com a melhora da autoestima das pessoas e propicia reinserção social”, frisa Santos Neto sobre o trabalho, que também gera receita à entidade e ajuda no pagamento de despesas básicas da casa, a partir da venda dos fertilizantes.

Finalista do Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade é exemplo de ação em SP

No Estado de São Paulo, um exemplo de ação que visa à redução do volume recebido nos aterros sanitários é a desenvolvida pelo Supermercado São Vicente, empresa finalista da 3ª edição do Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade, em 2013, com seu programa de medidas para o consumo racional de energia elétrica, sacolas plásticas descartáveis, entre outras.

A rede envia todos os meses à reciclagem aproximadamente 120 toneladas de papelão, nove toneladas de plástico, e seis toneladas de outros recicláveis, como metais e vidros. Há ainda projetos especiais que dão destino adequado, mensalmente, a 1,2 mil litros de óleo de cozinha, duas mil unidades de caixas de madeira e pallets e 400 quilogramas de sacaria de babata e cebola.

Outro destaque é a destinação correta de cilindros de gás refrigerantes descartáveis a centrais de regeneração, uma vez que eles contêm gases que prejudicam a camada de ozônio, sendo que alguns podem ainda contribuir para o aumento do aquecimento global.

“No caso das frutas, legumes e verduras, cadastramos instituições que recebem como doação itens que perdem as características para venda, mas que ainda estão em plena condição de aproveitamento”, conta o diretor operacional da empresa, Mauricio Cavicchiolli.

Contribuições

De acordo com a assessora técnica do Conselho de Sustentabilidade da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Cristiane Cortez, a redução do volume que chega aos aterros é importante, principalmente pelo fato de que a maioria não possui sistemas que impeçam a liberação do metano no meio ambiente.

“É um gás que resulta do processo de decomposição do lixo orgânico na ausência de oxigênio, como ocorre nos aterros, e que é 21 vezes mais nocivo ao meio ambiente do que o dióxido de carbono (CO2), contribuindo fortemente para o aquecimento global”, explica Cristiane.

Segundo o diretor-presidente da Abrelpe, Carlos Silva Filho, um agravante é que mais de 3.300 municípios brasileiros ainda fazem uso de unidades irregulares para destinação do lixo. “Isso representa graves riscos ao meio ambiente e impactos diretos na saúde da população.”

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