Em época de crise econômica e inflação como calcular o preço final de venda?

24 . abr . 2015 Imprimir esse Artigo

Inflação em alta e reajustes de combustíveis, dos tributos, das taxas de juros e da conta de energia elétrica são alguns dos ingredientes que tiram o sono dos donos de empresa de todos os portes. O motivo é uma equação delicada: como e quando repassar todos esses aumentos para o consumidor?

Tal preocupação faz sentido. Trata-se de uma operação que precisa ser bem pensada e planejada para que a empresa não perca espaço no mercado. “Toda alteração na precificação é uma ação estratégica”, afirma o gerente do escritório do Sebrae-SP na região Central, Arthur Eugênio Furtado Achoa. Segundo ele, é preciso levar em conta o seu posicionamento no mercado.

Se a diferença entre o seu preço e o dos concorrentes é bem apertada, redobre a atenção sobre a movimentação deles nesse quesito e se organize para continuar sendo competitivo mesmo com o reajuste. Caso trabalhe com um produto mais caro pelo diferencial que oferece, sua preocupação, ao remarcar, deve ser evitar exageros no porcentual de ajuste para não espantar o consumidor.

A estrutura de custo de seu produto é outra questão a ser observada. “A melhor maneira de traçar uma estratégia de alteração do preço é colocar no papel todos os fatores que o compõem”, explica Achoa. Pergunte-se: quais são os gastos para produzir e vender o meu produto? A lista deve incluir matéria-prima utilizada, transporte, mão de obra envolvida no processo produtivo e na venda e, claro, o lucro que espera ter. “O segundo passo é verificar se há possibilidade de economizar em alguns desses tópicos”, observa o gerente.

Fazendo esse arranjo, você pode até chegar à conclusão de que seu custo final não mudou, ou mudou muito pouco. Uma descoberta que pode orientar reajustes menores ou até a manutenção do preço por mais algum tempo – o que pode render um precioso diferencial diante da concorrência.

Essa reflexão é importante porque, muitas vezes, o fantasma da crise assusta mais pelos rumores do que propriamente pelos danos que irão causar à empresa. Segundo Achoa, existem setores que não sentem diretamente o impacto, e mesmo aquelas que precisam mexer nos preços, podem encontrar alternativas criativas de mudar os seus processos para não repassar o valor aos clientes. Em momentos de turbulências, segundo o gerente, as micro e pequenas empresas podem tentar acordos com os fornecedores para reduzir os custos e negociar melhores condições. “De repente, manter o preço, no momento, pode ser a oportunidade de despontar no mercado”, aponta Achoa.

Revisões no agronegócio

Existem produtos que sofrem diretamente com os impactos da crise hídrica e energética por dependerem desses recursos naturais. O agronegócio é obrigado a repassar os aumentos para os clientes, mas, para continuar competitivo, deve-se criar soluções inovadoras. Esse é o desafio do dono do Sítio Leal, em Embu-Guaçu, Ricardo Domingues Leal. Ele produz alface, rúcula e outras hortaliças no sistema hidropônico, ou seja, utilizando fundamentalmente água.

Para diminuir o consumo do líquido, que era trocado a cada 15 dias, o agricultor investiu no reúso. “Trabalhamos com sistema de circuito fechado, no qual a água circula por toda a produção. Tratando-a, conseguimos estender o tempo de troca de cinco a seis meses. Depois disso, ela segue para fertilizar outros solos e não se perde”, explica Leal. O sistema foi adotado antes de estourar a crise hídrica, por isso, os negócios não foram afetados por esse fator.

Já os aumentos tributários e as incertezas econômicas levaram Leal a fazer algumas mudanças mais recentes em seu sítio, que tem 46 hectares de área de cultivo e uma força de trabalho de 25 pessoas. “Tivemos de demitir alguns funcionários que não vestiam a camisa da empresa, reduzir a produção e aumentar a qualidade”, afirma. A diminuição da produção, segundo ele, ajuda a encolher custos – uma estratégia que pretende manter. “A melhor época para o nosso negócio é o verão, então, quando chegar o mês de maio, diminuiremos a produção em 40% para não ter prejuízo”, afirma. Rever alguns processos também está em sua lista de medidas. “Muitas vezes, calculávamos mal a utilização dos insumos e havia muito desperdício. Vamos evitar isso”, conta ele. Por fim, ele pretende focar nos clientes fiéis, que compram frequentemente.

Saídas para o varejo

Ao ter de lidar diretamente com o bolso do consumidor, o varejo deve investir em diferenciais competitivos para amenizar os aumentos nos preços dos produtos oriundos da indústria. “É sempre uma situação incômoda para o varejista quando os fornecedores aumentam os preços. Ele se vê diante de duas alternativas: absorver a majoração reduzindo gastos operacionais e melhorando a produtividade ou repassar o valor integral ao cliente”, afirma o consultor do Escritório

Regional Capital Leste I do Sebrae-SP, Mario Valsechi. Contudo, nem sempre é possível permanecer sem reajustar. Nesses casos, o comerciante precisa lançar mão de estratégias para atrair e manter a clientela. “Oferecer brindes, formas variadas de pagamentos, atendimento diferenciado ou ações de marketing são bem-vindos”, afirma Valsechi. Ele conta que na região do Brás, tradicional polo comercial da capital paulista, alguns lojistas estão investindo em sites para direcionar os clientes. “Nessa região, a concorrência é muito forte. Mesmo recebendo caravanas de todos os lugares do Brasil, eles precisam recorrer a diferenciais para conquistar as pessoas”, afirma.

O site pode ser um importante atalho para conquistá-los a distância. Parceria de sucesso Buscar consultoria especializada e antenada com o mercado faz toda a diferença em momentos difíceis. Quem precisa de apoio pode contar com o Sebrae-SP, que oferece palestras e cartilhas destinadas a tirar todas as dúvidas sobre análise de custos e precificação. Possui ainda um time de consultores prontos a auxiliar os empresários na análise de seus negócios de forma personalizada e que podem ajudar a identificar se há a necessidade de mexer nos preços. “ldquo;Cada caso é um caso. Às vezes, a necessidade da empresa é de um pequeno ajuste que pode não comprometer o preço dos produtos ou serviços”, afirma Achoa.

Fonte: Sebrae

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