Sebrae mira sobrevivência de pequenas empresas até 2017

21 . out . 2014 Imprimir esse Artigo

O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP) afirma que, em vista do baixo crescimento econômico do País nos próximos dois anos, irá concentrar mais esforços para manter vivas as micro e pequenas empresas do estado.

"Estamos desenvolvendo programas com o objetivo de preparar as empresas para um momento de desaceleração da economia em 2015 e 2016", informa o diretor técnico do Sebrae-SP, Ivan Husni. "Na nossa avaliação, não se trata de uma crise econômica. Mas de uma desconfiança dos empresários, que leva a uma economia mais retraída", complementa.

Husni explica que a maneira do Sebrae atuar de forma mais defensiva é ajudando os micro e pequenos empreendedores a elaborarem melhor um plano de gestão. Para ele, essa é uma das principais dificuldades das MPEs.

"Cerca de 90% dos empreendedores que atendemos misturam as suas contas pessoais com as contas das empresas. Então, quando fazemos o atendimento às micro e pequenas, essa é a primeira coisa que ajustamos, pois faz uma diferença muito grande no empreendimento", exemplifica o diretor do Sebrae.

Equilíbrio de contas

Para manter as MPEs em funcionamento, o Sebrae está desenvolvendo programas para ensinar o microempreendedor a equilibrar suas contas. "Uma empresa sobrevive com receita menos a sua despesa. E se essa gestão não for bem refinada, o risco de mortalidade é muito grande. Portanto, vamos desenvolver ferramentas para as empresas melhorarem a sua gestão", diz.

O Sebrae espera retomada da economia e menor endividamento das empresas em 2017 e 2018. "Além disso, os consumidores devem passar a compram melhor", afirma.

Para depois de 2016, a instituição diz que deve investir em programa de fomento à produtividade e inovação.

O diretor do Sebrae diz que o fomento à exportação é outra saída para as empresas nos próximos dois anos. "A exportação é um caminho, mas é preciso melhorar capacidade de produzir valor agregado".

De acordo com o Sebrae, as pequenas representam 62% do total de empresas exportadoras. No entanto, o seu volume de negócios é de apenas 1% do total. São 11,5 mil empresas responsáveis por uma receita de US$ 2,2 bilhões.

Cerca de 24% delas são atacadistas e 10,5% produtoras de máquinas e equipamentos.

Acesso ao crédito

O diretor técnico do Sebrae lembra sobre o problema da falta de crédito às MPEs. "Hoje a única linha facilitada que temos é o microcrédito, mas que é desproporcional a real necessidade", afirma Husni. "O setor financeiro ainda tem um pé atrás com liberação de crédito. Isso precisa mudar. Existe um decreto federal que diz que o micro e pequeno e empreendedor quando se formaliza, já tem acesso ao microcrédito, mas, na prática, sabemos que para conseguir o benefício, a empresa tem que ter algum tempo de existência", finaliza.

DCI

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