Startups alavancam a inovação no varejo

12 . jan . 2018 Imprimir esse Artigo

As demandas do varejo por soluções e novas tecnologias que melhorem os sistemas de gestão e o dia a dia das empresas têm fomentado startups e empreendedores a apresentarem ao mercado recursos inovadores. São, essencialmente, plataformas, aplicativos e sistemas que ganham espaço em um mundo cada vez mais tecnológico e digital.

Luis Felipe Inglez utiliza site para vender seu estoque. Foto: Adriano Rosa/SindiVarejista

Muitas dessas tecnologias nascem a partir de necessidades. Esse é o caso do André Garcia, fundador do site Estoque Parado, cujo objetivo é vender na plataforma online produtos que estão com baixa saída nas lojas de materiais de construção civil.

Por um lado, a empresa movimenta o estoque enquanto o consumidor adquire um produto com preço mais baixo e atraente.

Garcia cresceu na loja de construção da sua família e identificou que o problema vivenciado ali poderia ser comum em outras empresas. “Em 2016, verifiquei o estoque e estava com mais de R$ 50 mil em mercadoria parada. Montei o projeto, validei com 11 lojas que confirmaram viver o  mesmo problema”, disse.

A partir daí, a startup lançada há cerca de dois meses conta com lojas cadastradas em cinco cidades da região. Uma delas é a Schedule, loja de construção civil de Campinas com mais de 30 anos, que começou a utilizar a plataforma para dar vazão aos produtos com pouca saída e ao estoque de uma unidade “home center” que foi fechada após reestruturação da empresa.

“Avaliamos que é melhor vender com margem reduzida do que manter o estoque parado. Ainda há uma resistência no setor que não acredita em vendas pela internet. Mas, pelo contrário, há uma forte tendência especialmente nas novas gerações e temos que estar atentos”, afirmou o gerente comercial, Luis Felipe Inglez.

Para Carla Cozer, gestora do programa ALI (Agentes Locais de Inovação) do Sebrae Campinas, o varejo está atento às necessidades de inovação, mas encontra dificuldades, como investimentos financeiro e em equipe. “O primeiro passo para
inovar é entender o cliente. Quando isso ocorre, o varejista rapidamente tem insights e começa a colocar em prática projetos inovadores. Quando consegue romper as dificuldades, os resultados são grandes e percebe que o esforço vale a pena”.


Varejo é atraente para empresas e startups

Com 85 mil empresas cadastradas em todo o Brasil, a startup MarketUP foi criada há três anos com uma proposta inovadora que propõe às empresas do varejo, enquadradas no Simples Nacional, um sistema online de gestão e vendas gratuito.

Mateus Vicente de Azevedo, business developer da startup, explica que a essência do negócio é atrair as pequenas e médias empresas e, com isso, conectá-las às grandes indústrias e companhias que veem pequenos e médios varejistas como cliente em potencial. “Uma grande empresa que produz um produto voltado para pequenas empresas nem sempre consegue anunciar para elas. Por sabermos onde esse pequeno está, fazemos uma publicidade muito focada e direcionada.”

Para o varejista, a plataforma oferece gestão de estoque, relatórios financeiros, além de loja virtual gratuita, emissão de documentos fiscais entre outros. Além da publicidade que conecta as grandes empresas aos pequenos varejistas, a plataforma possui uma central de onde o empresário pode comprar de um atacadista a um preço mais atraente. “Nosso modelo de negócio é inédito e a empresa tem apresentado crescimento escalável”, afirmou Azevedo.

Cleber é um dos 85 mil usuários da plataforma digital MarketUP. Foto: Adriano Rosa/SindiVarejista

Cleber Rodrigo Jacomini, proprietário da loja de materiais elétricos Mopelux, em Campinas, é usuário da plataforma e já realizou ao menos dez compras com fornecedores pela plataforma. “Além de usar a ferramenta gratuita, fiz compras com valores bem atraentes e promocionais”, disse.

Para Carla, do Sebrae, as startups são hoje um importante produtor de soluções para o varejo cuja parceria, se estreita, poderá apresentar grandes resultados. “É preciso que essas soluções sejam desenvolvidas com base nas necessidades dos clientes. Por isso, a proximidade com o varejista é fundamental.”

 

 

Melissa Penteado fundadora da ProScore. Foto: Adriano Rosa/SindiVarejista

Com uma proposta também inovadora, Melissa Penteado fundou há 17 anos a ProScore, uma empresa especializada em soluções tecnológicas customizadas para que o próprio dono do negócio tome as decisões ligadas à análise de crédito, risco e fraudes. Com mais de 40 mil pontos em todo o país, a ProScore atende hoje grandes empresas e pequenos e médios varejistas.

“Nosso objetivo é oferecer uma solução em que o empresário minimize os riscos e cresça. Nós fomos pioneiros no Brasil e oferecemos um produto inovador numa época em que banda larga era praticamente inexistente”, afirmou.

 

 

 


Contagem de clientes

A rede de lojas de brinquedo Ri Happy conta hoje com uma tecnologia aliada para fazer uma análise bem interessante. Um software criado pela empresa Seed, hoje com clientes em todo o Brasil, e adotado pela rede permite fazer a contagem de pessoas que entram na loja e, com isso, ser realizada uma análise da taxa de conversão em vendas. Com um relatório em mãos, cada unidade faz uma avaliação do número de pessoas que entrou na loja e quantas vendas foram geradas a partir deste movimento.  Diante de uma taxa de vendas baixa, a unidade elabora estratégias e ações para melhorar a conversão.

 

 

 

Esta reportagem foi publicada na edição número 43 do Nosso Varejo.

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