Varejo do interior paulista sinaliza mais resistência à crise

03 . fev . 2016 Imprimir esse Artigo
Consumidora olha produto em loja de centro comercial

Consumidora olha produto em loja de centro comercial

O desempenho do varejo paulista espelha a crise pela qual passa a economia do país. Mas o mercado no interior do Estado parece enfrentar esse cenário preocupante com um pouco mais de força.

É o que mostra o relatório ACVarejo, publicado periodicamente pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

O volume de vendas do varejo no Estado de São Paulo recuou 6,9% entre janeiro e novembro de 2015, na comparação com igual período do ano passado. Por outro lado, em igual comparação, o faturamento nominal do setor cresceu 1,4%.

Já o desempenho do varejo no interior do Estado é um pouco melhor do que o observado na Capital. Pelos dados do ACVarejo, o volume de vendas no interior paulista recuou 6,5% e o faturamento avançou 1,7%.

Os números são referentes ao varejo ampliado, que inclui as vendas de automóveis e de materiais de construção.

“Como já se sabia, os fatores macroeconômicos abalaram a confiança e o consumo das famílias, que hesitaram nas compras e priorizaram gastos com itens essenciais. E o estado de SP sempre sofre mais, porque é bastante industrializado. Entendo que 2015 foi um ano perdido, mas é importante aprendermos com as lições para que 2016 não tenha o mesmo destino”, comentou Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Ainda segundo Burti, “é urgente, sobretudo, que se adote uma solução definitiva para a crise política e de governança, que tem prejudicado todo o país”.

Na comparação entre novembro e outubro de 2015, considerando todo o Estado de São Paulo, o volume de vendas recuou 3,7% e o faturamento caiu 2,7%. Confrontando novembro do ano passado com igual mês de 2014 o resultado para as vendas é de queda de 14,5% e para o faturamento, recuo de 4%.

Por segmento, os dados acumulados entre janeiro e novembro mostram que o único que avançou no volume de vendas foi o de farmácia e perfumaria, que cresceu 1,5% na comparação com igual período do ano passado. Já as concessionárias de veículos tiveram a maior queda, de 18%, seguido por lojas de departamento, eletrodomésticos e eletroeletrônicos (-14,2%).

Segundo o relatório da ACSP, a crise do varejo, que se estende a nível nacional, é explicada pela diminuição da renda, pelo maior desemprego, pela menor disponibilidade e piora das condições de crédito, que contribuem para manter a confiança do consumidor no campo pessimista, reduzindo sua disposição a comprar durante os próximos meses.

PERSPECTIVAS

Esse cenário de crise no varejo deve se estender ao longo de 2016. Para o economista Ulisses Gamboa, responsável pelo estudo ACVarejo, ainda que o governo tenha sinalizado com medidas de estímulo ao consumo, não será fácil motivar o consumidor a ir às compras diante de um cenário de instabilidade no emprego.

“O governo sinalizou que pretende aumentar a disponibilidade de crédito no mercado e deve pressionar o Banco Central a baixar os Juros, mas a disposição do consumidor ainda é muito baixa”, diz Gamboa. “Pode ser que só tenhamos o consumidor trocando um crédito caro por um mais barato”.

O economista da ACSP vê dois cenários factíveis para um início de recuperação da economia em 2016. Um estaria em andamento, proporcionado pelo câmbio favorável às vendas externas e, assim, dando força à indústria, o que pode refletir em melhoria dos salários.

O outro dependeria da retomada das concessões, que pode atrair capital privado. “Mas isso só vai acontecer se o governo rever as taxas de retorno para o investidor, que estão abaixo da Selic”, diz Gamboa.

Fonte: Diário do Comércio

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