Oficina de grafite chega ao fim com telas que irão compôr exposição

20 . set . 2015 Print This Article

Com o propósito de levar os conceitos de “justiça, cidadania e trabalho” para a sociedade, o Conexão Social SindiVarejista encerrou no último dia 11 (sexta) a oficina de grafite com 20 alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos) matriculados na escola Pierre Bohomme, na Vila Industrial. O resultado do trabalho será apresentado em uma exposição itinerante que passará por vários locais de Campinas a partir de outubro – com inauguração no Senac no dia 9 do próximo mês.

A oficina, dividida em quatro encontros, teve início no dia 3 de setembro, quando os alunos tiveram os primeiros contatos com a teoria sobre o grafite. As aulas foram ministradas pelo artista plástico Gustavo Nénão, campineiro reconhecido internacionalmente por seus trabalhos em grafitagem. Nos encontros restantes, os alunos colocaram a mão na massa, realizaram exercícios com o spray e depois participaram da pintura das telas, usando a técnica do estêncil –  espécie de um molde em que se aplica a imagem.

Envolvimento e resultados

Ao todo, 20 telas foram finalizadas pelos alunos – com idades entre 15 e 66 anos – e que carregam consigo as mais variadas histórias de vida e de vulnerabilidade. Uma das alunas, Maria Inês Lago, de 66 anos, é deficiente auditiva e foi acompanhada por um profissional da Secretaria de Direitos da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, encarregada de auxiliá-la por meio da língua de sinais.

Para os profissionais que participaram da oficina, o resultado dos encontros foi um avanço em relação ao  engajamento, conhecimento e transformação dos alunos por meio da arte. Para o professor da escola Rodrigo Neris, o grupo que participou da oficina, a partir de uma inscrição espontânea, foi heterogêneo. “Tínhamos alunos com deficiência, jovens e adolescentes e até senhoras interagidos no mesmo propósito. A oficina foi a cara da nossa escola, que recebe alunos de todos os tipos, idades e dificuldades”, disse.

Para o professor, as atividades também contribuíram para que os estudantes compreendessem o processo de criação e tivessem noção e conhecimento da necessidade de engajamento para executar um trabalho. “Houve ação em equipe e envolvimento, um fato que nem sempre está presente na nossa escola. Pela história de vulnerabilidade e risco que muitos enfrentam, o afastamento e distanciamento é muito comum”, acrescentou o professor.

Parceiros em rede

O projeto foi realizado pelo Conexão Social SindiVarejista e está vinculado ao programa “Trabalho, Justiça e Cidadania” (TJC), da Amatra XV (Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 15ª Região), com apoio de parceiros, como o SESC, e a própria escola que não somente abriu as portas para o programa, mas também contribui de forma significativa com as atividades, com apoio, disponibilização de parte dos materiais e envolvimento dos profissionais.

Para acompanhar o grupo, que também contou com alunos com deficiência intelectual, a escola destacou também uma professora de Educação Especial, que esteve presente em todos os encontros.

O programa Conexão Social, uma das frentes do SindiVarejista, tem como um dos objetivos justamente este trabalho em rede, em que os mais diversos atores da socidades podem contribuir com a transformação. Além disso, “trabalho” foi o principal tema da oficina com a proposta de mostrar aos participantes que é possível ter prazer e dignidade nas atividades desempenhadas ao longo da vida.

“Nós acreditamos na transformação e no trabalho em rede, onde exista troca entre as pessoas que vivam na mesma sociedade”, afirmou a presidente do SindiVarejista, Sanae Murayama Saito.

Para Gustavo Nénão, a oficina representa uma semente que foi plantada, principalmente pela afinidade que boa parte já tem com desenho. “E mais que isso, acho que a experiência foi muito maior que o grafite. Foi uma troca de valores e de conhecimento, que aconteceu o tempo todo”, disse.

Já os alunos, sentiram-se estimulados a continuar com a arte do grafite e em buscar novos conhecimentos. “Já tinha pichado e, por isso, conhecia um pouco do spray. Aprendi muito sobre a técnica e pretendo continuar”, afirmou o estudante Leandro Henrique Domingues, de 17 anos.

Para Maria Inês, que já pinta telas com tinta a óleo, a experiência expandiu seu conhecimento. “Quero muito continuar pintando com spray, nunca havia experimentado e foi incrível”, disse.

Exposição

A primeira exposição, marcada para 9 de outubro no Senac, será o primeiro momento em que os alunos irão mostrar o resultado dessa experiência. Um mini-documentário que mostra todo o processo de produção durante as oficinas também fará parte da exposição, uma forma dos visitantes conhecerem o contexto e um pouco das pessoas que participaram.

“A proposta da exposição é mostrar também um pouco desses jovens e adultos. E, que essa transformação que aconteceu nesses dias de oficina, seja sentida também por outras pessoas. Alem disso, é importante que as pessoas compreendam que todos podem fazer parte desse processo de mudança de várias formas”, afirmou a coordenadora do Conexão Social, Edna Borges.

Após o período no Senac, a exposição irá para o SESC, no encerramento das atividades do TJC (Trabalho, Justiça e Cidadania) realizado pela Amatra XV, um dos parceiros do Conexão Social.

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