2014: um ano que o comércio gostaria de esquecer

12 . jan . 2015 Print This Article

O comércio varejista de Campinas não sentirá saudades de 2014. Os resultados do ano foram os piores desde 2003, com as vendas crescendo apenas 2,88% – muito abaixo dos 6,41% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial e foi divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O faturamento atingiu R$ 15,58 bilhões. Em 2013, o valor foi de R$ 15,14 bilhões. A falta de dinheiro no bolso do consumidor afetou o desempenho do varejo. A queda da atividade econômica e os cortes de emprego, principalmente na indústria, tiveram impacto sobre o movimento nas lojas.

Outro problema foi a inadimplência. O calote no ano chegou a R$ 140,4 milhões. No acumulado do ano, o estoque foi de 192.269 dívidas sem pagamento há mais de 30 dias. A falta de quitação das compras no comércio da cidade cresceu 5,99% em relação a 2013.

O coordenador do Departamento de Economia da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), Laerte Martins, afirmou na avaliação anual que o cenário para 2015 também não é animador.

"O ano de 2014 foi muito complicado no país. O Brasil ficou estagnado e os números mostram desaceleração da economia. Os consumidores estavam sem dinheiro no bolso e endividados. E neste ano tudo indica que vamos manter o ritmo lento", afirmou.

Para Martins, comércio deve crescer no máximo 3,5% em 2015. "Acredito que o cenário vai começar a melhorar no segundo semestre deste ano. Mas um crescimento mais vigoroso só deve vir em 2016, se as medidas da nova equipe econômica do governo federal derem resultado".

Os dados do balanço anual da Acic apontaram que as vendas no crediário aumentaram 3,44% no ano passado e houve uma queda de 2,04% nas compras à vista. "O indicador mostra que o consumidor não tinha dinheiro no bolso. As vendas a prazo poderiam ser ainda maiores se os juros não estivessem tão elevados. O crédito caro também inibe as vendas", salientou.

Nem mesmo o mês de dezembro, que tradicionalmente é o melhor do ano, salvou os números de 2014. Conforme análise da Acis, as vendas no mês passado subiram apenas 2,2%. O faturamento no período alcançou R$ 2,3 bilhões. "O Natal ficou muito aquém do que projetávamos. O comércio terminou com estoques altos e está tendo que liquidar os produtos neste início de ano".

Os produtos cujas vendas mais cresceram no Natal foram brinquedos (4,5%), eletroeletrônicos (3,5%), calçados e vestuário (3,5%) e alimentação e bebidas (3%). "A lista de itens mais procurados já foi maior, mas com menos dinheiro no bolso os consumidores compram os produtos mais tradicionais e não extrapolaram o orçamento", Observou o economista.

RMC

O cenário da Região Metropolitana de Campinas (RMC) também foi de vendas fracas em 2014, O levantamento anual da Acic apontou que o faturamento cresceu 2,83% passando de R$ 35,99 bilhões para R$ 37,01% bilhões. "O resultado foi o pior dos últimos 11 anos. A região também sofreu com o baixo crescimento econômico do país", disse Martins.

"A desvalorização do real poderia ter um efeito positivo sobre as exportações. O problema é que o mundo ainda continua em crise e perdemos espaço nas exportações de manufaturados. A nossa região tem um foco no comércio exterior de produtos de alto valor agregado. O aumento das exportações puxaria a produção industrial e abriria novas vagas de emprego", salientou.

A inadimplência também foi um problema na região. De acordo com a avaliação da Acic, o calote na RMC chegou a R$ 334,2 milhões com 457.783 carnês em atraso.

"A situação na região foi pior do que em Campinas. Na cidade, muitos consumidores limparam o nome durante o mutirão Acertando as Contas. No total, foram pagos R$ 7 milhões em dívidas", comentou.

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