Após forte queda, livrarias sinalizam recuperação das vendas

07 . ago . 2017 Imprimir esse Artigo

Depois de um ano difícil, o mercado de varejo de livros dá os primeiros sinais de recuperação, com crescimento de volume e faturamento no acumulado de janeiro a abril em relação ao mesmo período do ano passado. A quantidade de livros vendidos aumentou em 5,78%, enquanto o faturamento cresceu 6,51%, em valores nominais, de acordo com dados divulgados na pesquisa 4º Painel das Vendas de Livros no Brasil em 2017, do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e da Nielsen.

Apenas em abril, foram vendidos 2,8 milhões de exemplares, que somam R$ 116,4 milhões, com cada exemplar, em média, por R$ 41,18. A inflação acumulada até abril de 2017 é de 1,10%, em 12 meses o valor é de 4,08%, de acordo com o IPCA.

Em 2016, a ausência de fenômenos parecidos ao dos livros de colorir e a crise econômica resultaram em queda recorde de 3,09% no valor e de 10,84% no volume, também em valores nominais, no acumulado do ano. “Depois de baixas sucessivas, o mercado agora dá os primeiros sinais de recuperação, crescendo acima da inflação”, observa Marcos da Veiga Pereira, presidente do SNEL. “Não há um gênero que se destaca em relação aos demais, o que indica que tivemos um crescimento homogêneo, todos os segmentos tiveram algum impacto positivo”, completa.

A assessoria da FecomercioSP destaca que, em períodos de recessão, como o ano passado, diminui a procura por bens menos essenciais, ou que podem ter suas compras adiadas por um tempo sem prejuízo para o consumidor, como é o caso dos livros.

Os esforços referentes ao Dia da Mulher fizeram de março o melhor mês do ano até agora para o setor, com aumento de 16,59% no volume e 12,34% no valor das vendas em valores nominais, alta referente ao mesmo mês de 2016. “Houve uma campanha grande para o 8 de março, além de uma base de comparação baixa em relação ao ano passado quando estávamos às vésperas do impeachment”, comenta Pereira.

Previsões

As previsões para 2017 se baseiam, principalmente, em uma melhora da economia brasileira. “Acreditamos que a melhoria das vendas está diretamente relacionada com o reaquecimento da economia, fim do desemprego e volta dos investimentos e da confiança dos consumidores”, diz Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura.

“Para este ano, nossa previsão é comercializar 6 milhões de livros”, explica Marcos Pedri, diretor comercial do Grupo Livrarias Curitiba, que tem lojas em São Paulo, Paraná e Santa Catarina. “Acreditamos que os cenários político e econômico devem melhorar”, justifica.

Eventos culturais e fidelização dos clientes nas livrarias estão entre as estratégias que ajudam a manter o ritmo das vendas, explica a assessoria da FecomercioSP, ideia corroborada pelos números referentes às vendas das Livrarias Curitiba: “Metade das compras do ano passado foi realizada por sócios do cartão fidelidade chamado Leio +, que é gratuito e vale pontos na aquisição de qualquer produto”, explica Pedri.

O mercado de varejo de livros aguarda com cautela os desdobramentos da crise política (link para icc de maio, feito duas vezes depois da crise) brasileira para estimar seu possível crescimento para os próximos meses. “Até dia 17 de maio de manhã, pensava que poderíamos chegar a crescer cerca de 8% em valores nominais, com a inflação em torno de 4% e um cenário de princípio de recuperação”, explica Pereira, do SNEL, referindo-se ao dia em que vieram a público, no final da tarde, as gravações de conversas entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista.

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