Artigo: as razões do pessimismo do comércio varejista para este ano

09 . fev . 2015 Imprimir esse Artigo

Em vista do impacto dos reajustes de preços administrados sobre a inflação e a perspectiva de estagnação da atividade econômica neste ano, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) reviu para baixo suas projeções para o crescimento das vendas do comércio varejista, de 2,95% para 2,47%. Se confirmado, será o pior resultado desde 2003, quando as vendas caíram 3,7%.

A Ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada na semana passada, estimou em 8% o reajuste da gasolina e em 27,6% o da energia elétrica, com um aumento médio de 9,3% nas tarifas e preços controlados pelo governo. No Distrito Federal e em diversos Estados, as contas de água já subiramou vão subir nos próximos meses.

Em diversas cidades as empresas de saneamento e agências reguladoras avaliam as contas de energia para calcular as tarifas de água. Em São Paulo, a Sabesp reajustou a conta em 6,49% em novembro, mas pode pedir revisão tarifária para desistimular o consumo.

O orçamento do consumidor é pressionado por estes e outros gastos, como transporte público e impostos, entre os quais o IPVA e o IPTU. Com a renda comprometida com esses itens, é menor a disponibilidade de dinheiro para a compra de bens não essenciais. Isso reduz o mercado para bens duráveis.

"Ao longo dos anos", diz o economista Fábio Bentes, responsável pelo estudo da CNC, "os picos de vendas do varejo coincidem com períodos de inflação baixa nos bens e serviços com preços administrados".

Em 2010, por exemplo, os preços administrados tiveram reajuste médio de 3,1% e as vendas do comércio varejista cresceram 10,9%.

A situação agora é totalmente inversa, como comprova o índice de Consumo das Famílias (ICF) da Fecomercio-SP, que registrou queda de 12,9% em janeiro em relação ao mesmo mês do ano passado, ficando em 108,6 pontos. Todos os sete itens que compõem a pesquisa acusaram os piores resultados para o mês de janeiro desde o início da série histórica em 2010. Esses números sinalizam menor consumo nos próximos meses.

O temor do desemprego igualmente leva à contenção das despesas e reforça as previsões pessimistas para o ano, tanto para o comércio como para os agentes econômicos em geral. Na melhor das hipóteses, espera-se uma melhoria apenas no segundo semestre.

Fonte: O Estado de São Paulo

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