Comerciante deve se planejar para encarar um difícil 2016, afirmam especialistas

14 . jan . 2016 Imprimir esse Artigo
Vendedores aguardam por clientes em loja localizada na região central de Campinas. Foto: Adriano Rosa

Vendedores aguardam por clientes em loja localizada na região central de Campinas. Foto: Adriano Rosa

Vitor França, economista da FecomercioSP, e o gerente do Senac Campinas, João Henrique de Freitas Alves, foram ouvidos pelo SindiVarejista e comentaram suas expectativas, nada otimistas, em relação à economia e o varejo para 2016. Para França, a instabilidade política deverá manter um cenário difícil para o empresário. Já Alves ressaltou a necessidade do comerciante se capacitar e engajar sua equipe para seguir adiante. Confira abaixo os trechos das entrevistas:

Economista da Fecomercio Vitor França avalia 2016 como um ano difícil.

Vitor França, economista da Fecomercio.

Confira a entrevista com Vitor França, assessor econômico da FecomercioSP: 

Qual a expectativa para o varejo em 2016?

2016 deve ser um ano tão difícil quanto 2014 e 2015. Não temos nenhuma ação ou solução positiva em vista. Além disso, a instabilidade política não deve se resolver tão rápido o que causa ainda mais instabilidade ao empresário. Não temos nenhum fator novo capaz de reestabelecer a confiança dos agentes, o que faz com que o empresário invista cada vez menos.

Quais são as condicionantes para essa expectativa pessimista?
Inflação e juros altos, falta de crédito, desemprego e queda na renda do consumidor, além da falta de confiança dos empresários. São esses os principais motivos que levam a uma expectativa pouco otimista atrelada ao imbróglio político.

Então, para o senhor, parte da crise econômica é culpa da crise política?
O Brasil tem problemas econômicos estruturais e a instabilidade política agrava isso. O que vemos hoje é o resultado de políticas equivocadas e o gasto público no limite. A economia parou de crescer, os agentes estão deixando de investir. O resultado dessa crise é econômico, mas a solução é política e depende de articulação.

Decisões como abrir um novo negócio ou expandir o comércio devem ser evitadas em 2016?
É preciso ter cautela e planejamento. É clichê, mas crise gera oportunidade e o empresário pode enxergar esse caminho, encontrar a mudança no comportamento do consumidor e não se deixar contaminar pelo pessimismo.

Qual sua dica para o varejista em 2016?
Planejamento é a palavra-chave! É hora de ser conservador, mas também criativo. É preciso ter cuidado com os estoques, empréstimos, uma vez que os juros estão mais altos, e com as vendas a prazo, pois a expectativa é de aumento da inadimplência. Busque a produtividade, evite demitir e aproveite a expertise dos colaboradores para buscar novas soluções. Inove!

 

Confira a análise de João Henrique de Freitas Alves, gerente do Senac:

João Henrique de Freitas Alves, gerente do Senac Campinas

João Henrique de Freitas Alves, gerente do Senac Campinas

Na prática, como o varejista pode se preparar para 2016?

Considerando a educação como meio de transformação, entendo que uma das formas de encarar um ano de crise é o empresário se envolver com sua equipe e todos que façam parte de sua rede de relacionamento. Essa atitude, se bem realizada, aumenta a possibilidade de surgimento de boas ideias e soluções.

 

Qual a importância de integrar a equipe da empresa em momentos como esse?
Um grupo unido tem uma chance muito maior de atingir um objetivo determinado, contudo o empresário deve saber ouvir aqueles que têm uma opinião divergente. Às vezes, aquela voz dissonante traz para o grupo uma nova ideia, novo olhar que podem mudar os caminhos a serem trilhados. Integrar não quer dizer que todos devem pensar da mesma maneira.

É um desafio. Como isso pode ser feito?
Conversar sempre é o que garante que as pessoas conheçam os desafios e entendam como eles devem ser enfrentados.  É preciso falar e, mais importante que isso, saber ouvir com a mente aberta, o que os outros querem dizer.  Os grandes discursos, comunicação de uma via só, podem ser inspiradores em momentos específicos, mas no dia a dia, recomendo que as pessoas confiem muito mais numa conversa sincera olho no olho. Existem algumas ferramentas que auxiliam de forma bastante eficiente nessa integração.

Quais dicas para treinar e capacitar?
Contratar uma empresa. Caso não seja possível, o estabelecimento pode definir suas necessidades e, com a ajuda de seu quadro, disseminar aquelas práticas que já são dominadas por algum membro da equipe.

E como evitar os vícios?
Cuidando para que a equipe troque seus conhecimentos e não suas manias.

 

Assessoria de Imprensa Sindivarejista (imprensa@sindivarejistacampinas.org.br)
Bruna Mozer e Luciana Félix – (19) 3775-5560
bruna.mozer@sindivarejistacampinas.org.br ; luciana.felix@sindivarejistacampinas.org.br

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