Comércio da RMC perdeu mais de R$ 1 bi de faturamento em 2016

17 . jan . 2017 Imprimir esse Artigo

Inadimplência também foi um dos problemas de 2016. Foto: Adriano Rosa/SindiVarejista

O comércio da Região Metropolitana de Campinas (RMC) perdeu mais de R$ 1 bilhão em faturamento no ano de 2016. O desempenho do varejo no ano passado foi divulgado nesta segunda-feira (16) pela Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) e mostrou que as vendas atingiram R$ 35,46 bilhões. Em 2015, o valor foi de R$ 36,47 bilhões.

Não bastassem as vendas menores, os lojistas também tiveram que enfrentar a inadimplência, que resultou em um calote de R$ 368,9 milhões. Para correr atrás do prejuízo, os comerciantes estão apostando em liquidações neste começo de ano.

Os saldões são a salvação dos comerciantes para desovar os produtos que sobraram do ano passado. Nem o Natal, a melhor data de vendas do ano, foi capaz de melhorar o quadro de 2016. Os números mostraram que o movimento caiu 0,87% no final do ano passado em Campinas em relação a 2015. O faturamento das lojas em dezembro foi de R$ 2,44 bilhões no ano passado, que representou um recuo de 0,87% frente aos R$ 2,46 bilhões do ano anterior.

Os dados do balanço anual da Acic apontaram que os consumidores preferiram as compras à vista no ano passado. De acordo com as informações, foram registradas 2,01 milhões de consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) no acumulado de janeiro a dezembro de 2016. No mesmo período de 2015, foram 2,03 milhões de consultas.

Com os juros elevadíssimos no ano passado, as vendas a prazo caíram 90,77%. As consultas para compras no crediário somaram 218,4 mil no ano contra 2,33 milhões de 2015. A equação carteira vazia mais desemprego em alta mais taxas de juros absurdas fizeram o consumidor evitar o parcelamento das compras.

A falta de trabalho e a queda na renda também tiveram impacto em outro indicador importante do varejo que é a inadimplência. Os carnês com atraso superior a 30 dias atingiram 512.319 na RMC. O crescimento foi de 3,09%, com um calote total de R$ 368,9 milhões.

Em Campinas, a situação também foi alarmante: o comércio fechou o ano com 215.174 documentos em atraso. O aumento foi de 3,08% sobre os 208.745 carnês e boletos de 2015, com um prejuízo foi de R$ 154,9 milhões.

Em nota, o coordenador do Departamento de Economia da Acic, Laerte Martins, afirmou que o ano de 2016 foi muito ruim para o comércio. “O comércio varejista fechou mais um ano negativo nas vendas em Campinas e região. A perspectiva para 2017 continua nebulosa frente a estagnação nos principais indicadores econômicos como PIB (Produto Interno Bruto), desemprego e investimentos). Destaca-se, no entanto, que os juros e a inflação começaram uma redução que pode melhorar a situação econômica até o segundo semestre de 2017”, afirmou.

Os dados da Acic mostraram que em Campinas o faturamento do varejo encolheu R$ 440,7 milhões em 2016 se comparado ao ano anterior. Conforme o balanço anual, o resultado das vendas baixou de R$ 15,27 bilhões para R$ 14,83 bilhões.

Vendas

Os comerciantes tiveram que lançar mão de várias estratégias para atrair a freguesia em 2016. As liquidações foram a principal delas. “Mantivemos liquidações na loja o ano todo. Nos meses de setembro, outubro e novembro, fizemos uma promoção que reduziu muito nossos estoques”, afirmou o gerente da Principal Calçados, Silvério Caires.

Ele comentou que o resultado do ano manteve o equilíbrio em relação a 2015. “Entramos em 2017 com várias promoções na loja. O consumidor só está comprando o que é necessário”, disse.

Com uma loja na periferia, o comerciante de roupas femininas Mário Silva comentou que o movimento foi fraco em 2016 e que foi preciso agradar o cliente para manter as vendas. “As pessoas estão desempregadas e param de comprar. Para não perder a clientela, fiz liquidações, dei descontos em pagamentos à vista, criei um bônus-fidelidade e minha filha mandava por Whatsapp para as clientes com as novidades da loja e as nossas promoções. Conseguimos pelo menos fechar no azul”, afirmou.

Fonte: Correio Popular

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