Dívidas, inadimplência e inflação atrapalharam as vendas em 2013

09 . jan . 2014 Print This Article

As dívidas atormentaram os consumidores em 2013 – e mais ainda o comércio de Campinas e região. Os varejistas fecharam o ano com um crescimento nominal de apenas 3,07% nas vendas, o pior resultado dos últimos dez anos. O faturamento atingiu R$ 11,8 bilhões.

E isso porque, apenas nos meses de novembro e dezembro, os devedores pagaram R$ 98 milhões – no ano, a quitação de carnês em atraso atingiu R$ 300 milhões. Mesmo assim, o saldo de 2013 foi de R$ 108,8 milhões em calote no varejo de Campinas.

O valor significa uma alta de 9,53% em relação a 2012, e é também a maior taxa de crescimento dos últimos cinco anos. Os números só não foram piores porque boa parte dos devedores utilizou o 13º salário para pagar as dívidas – medida que, embora tenha aliviado o caixa dos lojistas, comprometeu as vendas de Natal, que foram apenas 3,35% maiores em relação a 2012.

No ano, o quadro também não foi muito diferente, com as vendas evoluindo apenas 3,07% sobre o ano anterior. Se a taxa for deflacionada, o resultado é ainda pior: queda entre 2,5% e 2,6%.

O coordenador do Departamento de Economia da Acic, Laerte Martins, afirmou ao apresentar os números de 2013, que as vendas não remuneraram os comerciantes em volume suficiente para cobrir a inflação do ano, estimada em 5,7%.

"O mau desempenho do comércio foi influenciado pela inflação acima do centro da meta, o crescimento da inadimplência, os juros elevados, a instabilidade do dólar e as manifestações nos meses de junho e julho. Esse conjunto de fatores provocou uma desaceleração do comércio varejista em 2013", comentou.

O economista afirmou que os consumidores tiveram o poder de compra afetado. "O faturamento avançou pouco. No ano passado, fechou em R$ 11,8 bilhões sobre um total de R$ 11,4 bilhões de 2012. A nossa expectativa para o ano era ultrapassar os R$ 12 bilhões, mas não foi possível", apontou.
Ele ressaltou que o crédito fácil nos últimos anos empurrou milhares de consumidores para o endividamento exagerado. "Os brasileiros acabaram contraindo muitas dívidas, principalmente a nova classe média. Com isso, os consumidores não tiveram muito como gastar e reduziram as compras", disse.

Inadimplência

A soma dos registros excluídos nos meses de novembro e dezembro, que totalizaram 109.174 débitos em atraso há mais de 30 dias, representou 223% dos 477.213 carnês quitados durante o ano.

"Os mais de 477 mil carnês quitados em 2013 em Campinas representaram a recuperação de R4 300 milhões. Mas ainda restou um saldo negativo de R$ 108,8 milhões", apontou Martins.

Para 2014, as expectativas são um pouco melhores

Os lojistas estimam um 2014 com vendas um pouco acima do ano passado. A previsão é de alta de 4% a 4,5% sobre o resultado de 2013. A Copa do Mundo deve repercutir positivamente, embora os jogos reduzam a quantidade de dias úteis.

"O impacto da Copa não será igual para todos os comerciantes. Há setores que vão vender mais do que outros. Mas, na média, o varejo deve se beneficiar", comentou a presidente da Acic, Adriana Flosi.

O segundo semestre será beneficiado pelas eleições. "A tendência é que a economia sofra com as incertezas geradas pela escolha do presidente da República, como normalmente acontece", disse Martins. Ainda segundo ele, a economia como um todo deve apresentar algumas restrições de produção e consumo.

Fonte: Correio Popular

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