Sanae fala sobre ponto eletrônico em matéria do jornal ‘Correio Popular’

03 . set . 2010 Imprimir esse Artigo

Os sindicatos patronais criticam a nova regulamentação sobre o ponto eletrônico porque acreditam que a medida pode quebrar a confiança entre patrão e empregado. “Toda a confiança conquistada nos últimos anos entre empregados e empregadores, de horas extras e cumprimento da jornada de trabalho, será quebrada com esse sistema. Além disso, há uma acusação generalizada de que os patrões fraudam os pontos eletrônicos, o que não é verdade”, disse a presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Campinas –  Sindivarejista), Sanae Murayama Saito.

Para patrões, sistema ameaça a confiança entre as partes

(publicada dia 29 de agosto de 2010)

Os sindicatos patronais criticam a nova regulamentação sobre o ponto eletrônico porque acreditam que a medida pode quebrar a confiança entre patrão e empregado. “Toda a confiança conquistada nos últimos anos entre empregados e empregadores, de horas extras e cumprimento da jornada de trabalho, será quebrada com esse sistema. Além disso, há uma acusação generalizada de que os patrões fraudam os pontos eletrônicos, o que não é verdade”, disse a presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Campinas (Sindivarejista), Sanae Murayama Saito.

 
Toda a polêmica fica por conta da emissão de comprovante impresso com o horário de entrada e saída, que ficará com o funcionário. A empresa terá o controle dos registros por relatórios e arquivos digitais, que deverão ser apresentados à fiscalização do trabalho. “Porém, com tudo isso, vamos ter de adotar a volta de um fiscalizador dentro da empresa, para verificar se o trabalhador estará no seu posto, cumprindo com as obrigações”, disse a representante patronal. Quem não se adequar, poderá ser multado em até R$ 17 mil.
 
Além disso, há outro ponto questionado sobre as horas extras que poderão ser geradas na fila do ponto. O raciocínio é de que se todos os funcionários saem no mesmo horário, haverá fila e os horários não serão os mesmos, podendo gerar horas extras sem trabalho. “Então todos vão querer ser o último da fila, para passar o ponto por último e ganhar horas extras. Não haverá confiança na relação”, disse Sanae. Outra questão é sobre o preço do equipamento, que pode ser elevado para uma empresa de pequeno porte com 11 funcionários ou uma grande empresa, que terá de comprar mais equipamentos. Ganhos 

O coordenador da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de Campinas, José Tavares Gomes, disse que o trabalhador só terá ganhos com o novo sistema. “Será a forma de ele controlar seus horários na empresa”, disse. No entanto, ele demonstrou preocupação com o comprovante. “Serão muitos comprovantes por mês, e armazenar isso pode ser complicado. Acho que as empresas podem informar mensalmente os horários dos pontos, sem que isso desrespeite a legislação”, disse.
 

De acordo com Gomes, a CUT e outras centrais sindicais vão negociar com o Ministério do Trabalho e  emprego para que, além das questões da portaria, seja garantido o respeito aos acordos coletivos existentes. “É importante inibir as fraudes, mas é preciso garantir que os ramos em que se tem uma organização sindical de base, em que se negociou nos acordos coletivos formas diferenciadas de registro de ponto, sejam respeitados”, disse.

Fase teste aquece venda

O adiamento, para março de 2011, dos efeitos da nova regulamentação sobre o ponto eletrônico, não esfriou as vendas dos equipamentos em Campinas. Segundo comerciantes consultados pela reportagem da Agência Anhanguera de Notícias (AAN), a procura ainda se mantém alta por parte das empresas obrigadas a atender à legislação. A indústria, inclusive, já se prepara para atender à demanda, que deve ultrapassar 1 milhão de novos equipamentos, segundo estimativas do próprio Ministério do Trabalho. Enquanto isso, patrões e empregados ainda discutem a lei, principalmente, quanto às denúncias de fraude. 

Na loja da Dimep, em Campinas, a venda dos pontos eletrônicos é alta, informou o gerente de vendas Márcio Antonio Paiossin. “As empresas que precisam se adequar à regulamentação procuraram comprar os equipamentos antecipadamente. Mesmo com o mesmo prazo estendido, as vendas continuam, porque eles estão adotando a fase de testes para que no prazo certo esteja tudo funcionando”, disse. Na loja, são oferecidos três tipos de equipamento, que incluem leituras sobre código de barras, biometria e proximidade. “Todos eles emitem o comprovante exigido pela lei que regulamento os pontos eletrônicos”, disse. 

Segundo a assessoria do Ministério do Trabalho, o adiamento dos efeitos da regulamentação foi concedido para que todas empresas com acima de dez trabalhadores se adequassem. No prazo original, a medida passaria a valer no último dia 25. Cálculos feitos pelo governo federal indicam que, nos últimos dois meses, foram produzidos, em média, 184,5 mil equipamentos. O número é considerado irrisório perto da quantidade necessária para suprir os mais de 700 mil necessários para as grandes montadoras, como Volkswagen, Fiat e GM, nos exemplos dados pela assessoria do ministério. 

A rede de formaç&atildatilde;o profissionalizante Microcamp, por exemplo, deve adquirir no próximo mês equipamentos suficientes para as 60 filiais espalhadas pelo País. “Vamos nos antecipar ao prazo para funcionar em caráter experimental. É importante que todos, funcionários e empresas, estejam aptos para iniciar a medida”, disse o diretor de recursos humanos da empresa, José Antonio Coluccini. Segundo cálculos da direção da Microcamp, serão investimentos ao menos R$ 300 mil na aquisição dos equipamentos, com exceção dos custos de manutenção. O preço dos produtos varia entre R$ 3 mil a R$ 7 mil. (Venceslau Borlina Filho/AAN – Foto: Dominique Torquato) 
 O NÚMERO11 EMPRESASEstão credenciadas no Ministério do Trabalho e Emprego para fornecer os novos pontos eletrônicos 

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