Se der impeachment: Varejistas apostam em “Proposta Temer”

19 . abr . 2016 Print This Article

micheltemerEmpresas que vendem produtos ou serviços ao consumidor final foram do céu ao inferno nos últimos 13 anos, sob a gestão PT no governo federal. Aproveitando o aumento da renda e o baixo desemprego, ampliaram o faturamento e traçaram estratégias de expansão dos negócios. A recessão, que já entra no segundo ano, mudou o cenário e, agora, com o impeachment em discussão, empresários e executivos ouvidos pelo Valor esperam que um “novo governo” consiga por o País de volta na rota do crescimento.

Flávio Rocha, presidente da Riachuelo, uma das maiores varejistas de moda do País, disse que o próximo governo – seja ele qual for – deveria “dar consequência legislativa ao Ponte para o Futuro”, uma espécie de programa de governo divulgado pelo vice-presidente Michel Temer há 5 meses.

Para Rocha, também vice-presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), este documento, também chamado de Proposta Temer, “é uma perfeita síntese do consenso que se formou entre as pessoas responsáveis”. O documento critica a atual política econômica e propõe mudanças: acabar com a indexação do salário mínimo e reformar a Previdência Social são algumas delas. Temer, quando o divulgou, disse que o governo havia cometido excessos, exagerado nas desonerações.

Para estimular o setor produtivo, o governo, encerrado o processo de impeachment, deveria flexibilizar a legislação trabalhista e mudar o sistema tributário. A opinião é de Artur Grynbaum, presidente do Grupo Boticário, um dos maiores fabricantes de cosméticos do País.

Ele considera difícil o governo Dilma conduzir as mudanças necessárias. “Um ‘velho novo’ (governo) é sempre mais complicado”, disse. “Difícil alguém dizer, diante de uma situação extrema, ‘agora vou fazer tudo diferente’ e isso dar certo. Porque teve tempo de fazer antes de outra forma. As oportunidades são dadas ao longo do tempo. Não vejo a possibilidade de tirar bons resultados disso”.

Ele observa que, diante da crise instalada no País, nenhuma medida terá efeito imediato, mas ressalta a importância de mudar expectativas. “O que todos nós gostaríamos é de recuperar a visão de médio prazo e recuperar a confiança”, diz o presidente do Boticário. “Hoje temos uma agenda negativa no país, só se fala de desemprego, lojas fechando”. Para ele, Temer pode trazer expectativas positivas.

Para Márcio Utsch, presidente da Alpargatas, fabricante das sandálias Havaianas, é funamental, havendo ou não impeachment de Dilma, que o governo promova projetos que incentivem o desenvolvimento industrial, em vez de ações que apenas estimulem o consumo.

O presidente da Telefônica, Amos Genish, espera que uma nova administração federal consiga retomar duas discussões cruciais para o setor de telecomunicaçãoes: o Marco Civil da Internt e a reforma do regime de serviço das teles. Estes temas estão hoje engavetados.

Nem todos veem com bons olhos um governo Temer ou a permanência de Dilma no Palácio do Planalto, Franscisco Deusmar, fundador da Pague Menos, rede de farmácias com mais de 830 lojas, defende a renúncia de Dilma e convocação de eleições gerais. Para ele, “o impeachment é a pior de nossas alternativas”

Fonte: Valor Econômico

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