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Desvio de função: o que é, como evitar e quais os riscos para a empresa

Um exemplo comum é o de um vendedor que passa a atuar como caixa, acumulando responsabilidades que não fazem parte de sua função original, sem aumento de salário ou mudança contratual

O desvio de função é uma prática que ocorre quando um trabalhador passa a exercer atividades diferentes daquelas previstas em seu contrato de trabalho, sem reajuste salarial ou atualização contratual. Essa situação, embora comum em algumas empresas, pode gerar consequências legais e financeiras graves para o empregador.

Embora a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) trate o tema de forma indireta, a jurisprudência trabalhista brasileira reforça a obrigatoriedade de respeitar as funções contratadas, sob pena de indenização ao funcionário e outros prejuízos à empresa.

O que caracteriza o desvio de função no ambiente de trabalho?

Na prática, o desvio de função ocorre quando o colaborador assume atribuições diferentes daquelas para as quais foi contratado, sem o devido reconhecimento ou compensação financeira. Isso independe da frequência com que o fato ocorre — basta a alteração sem ajuste formal.

Um exemplo comum é o de um vendedor que passa a atuar como caixa, acumulando responsabilidades que não fazem parte de sua função original, sem aumento de salário ou mudança contratual.

De acordo com o artigo 468 da CLT, qualquer modificação no contrato de trabalho deve ser feita com acordo mútuo e sem prejuízos ao empregado. Caso contrário, configura descumprimento legal e pode gerar ação trabalhista.

Desvio de função x acúmulo de função: entenda a diferença

É importante diferenciar desvio de função de acúmulo de função:

  • Desvio de função: o trabalhador executa tarefas de um cargo distinto do seu, abandonando sua função original.

  • Acúmulo de função: o colaborador realiza tarefas adicionais às da sua função principal, sem deixar de cumpri-las.

No caso de acúmulo, o trabalhador pode requerer adicional salarial, desde que haja habitualidade e incompatibilidade entre as funções acumuladas.


Consequências legais do desvio de função para o empregador

Empresas que mantêm funcionários em desvio de função podem ser acionadas judicialmente. Se comprovado, o trabalhador tem direito a:

  • Reajuste salarial proporcional à nova função;

  • Diferenças salariais retroativas;

  • Indenização por dano moral (em casos mais graves);

  • Rescisão indireta do contrato de trabalho, conforme artigo 483 da CLT, com pagamento integral das verbas rescisórias.

Essas ações podem gerar passivos trabalhistas elevados e comprometer o orçamento da organização.


Como o trabalhador pode comprovar o desvio de função?

Segundo o artigo 818 da CLT, o ônus da prova cabe ao trabalhador. Para isso, é fundamental apresentar:

  • Documentos internos e e-mails que demonstrem as atividades exercidas;

  • Registros de tarefas incompatíveis com o contrato original;

  • Testemunhos de colegas que comprovem a rotina de trabalho.

A prova testemunhal costuma ter grande peso em processos desse tipo na Justiça do Trabalho.


Existe dano moral em casos de desvio de função?

Sim, é possível pleitear indenização por dano moral, desde que o desvio de função tenha causado sofrimento emocional, constrangimento ou sobrecarga de trabalho. A Justiça analisa caso a caso, avaliando a existência de prejuízos à dignidade do trabalhador além dos financeiros.


Impactos do desvio de função na cultura organizacional

Além dos riscos jurídicos, o desvio de função prejudica o clima organizacional, gerando insatisfação, queda na produtividade, aumento da rotatividade e comprometimento da imagem institucional da empresa.

A sensação de desvalorização impacta diretamente o engajamento dos colaboradores, dificultando o alcance de metas e a retenção de talentos.


Como prevenir o desvio de função nas empresas?

Para evitar problemas relacionados ao desvio de função, é essencial adotar práticas preventivas:

  • Estruturar um plano de cargos e salários;

  • Elaborar contratos claros e detalhados sobre as atribuições do cargo;

  • Atualizar o contrato de trabalho sempre que houver mudança nas funções;

  • Capacitar líderes e gestores para delegarem tarefas corretamente;

  • Manter um canal de comunicação interna eficiente para feedbacks e denúncias.

O setor de Recursos Humanos deve atuar ativamente na fiscalização e orientação dos gestores, promovendo a conformidade legal e a valorização do capital humano.


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