Além da inflação persistente, que reduz o poder de compra, os juros altos encarecem o crédito e travam o consumo, principalmente de bens duráveis
O comprometimento de renda das famílias brasileiras voltou a preocupar o comércio varejista em 2025. De acordo com análise do Departamento Econômico do Sindivarejista Campinas, o segundo semestre começou com sinais claros de desaceleração econômica, afetando diretamente o consumo e, consequentemente, as vendas do setor.
Segundo dados do Banco Central, em junho o índice que mede o endividamento das famílias com o sistema financeiro alcançou 48,97% da renda acumulada nos últimos 12 meses — o maior patamar desde dezembro de 2022, quando registrava 49%. Isso significa que, em média, quase metade da renda mensal das famílias já está comprometida com dívidas, reduzindo o espaço para novos gastos.
O especialista de economia do SindiVarejista, Jaime Vasconcellos, lembra que 2025 já vinha sendo projetado com dois cenários distintos: uma primeira metade do ano beneficiada pelos reflexos positivos do crescimento de 2024 e uma segunda etapa marcada pela pressão dos juros elevados.
Além da inflação persistente, que reduz o poder de compra, os juros altos encarecem o crédito e travam o consumo, principalmente de bens duráveis. Agora, soma-se o fator do comprometimento de renda com dívidas, o que restringe ainda mais o orçamento das famílias.
“O aumento no endividamento mostra que as famílias estão destinando quase metade de sua renda para quitar dívidas já contraídas. Isso reduz a capacidade de consumo, o que representa um sinal de alerta para o comércio varejista, especialmente nos segmentos não essenciais”, destacou.
Outro dado que preocupa é a inadimplência das pessoas físicas, que atingiu 4,28% em junho, o maior nível desde maio de 2016 (4,32%). Embora o percentual possa parecer baixo, o indicador mostra que cresce o número de famílias que não conseguem honrar seus compromissos financeiros.
Com mais renda comprometida e aumento da inadimplência, o consumo tende a se concentrar em itens essenciais, como alimentos e medicamentos, afetando diretamente setores de bens e serviços não essenciais.
Às vésperas do segundo semestre, período tradicionalmente mais aquecido pelas vendas de fim de ano, o cenário é de cautela. “O varejo é o termômetro do consumidor, e os sinais atuais indicam dificuldades adicionais para o setor. “É hora de rever projeções de vendas, ajustar estoques, renegociar prazos e cuidar da liquidez das empresas”, afirmou a presidente do Sindivarejista, Sanae Murayama Saito.
O comércio varejista inicia o segundo semestre com o desafio de equilibrar custos, manter a competitividade e se adaptar ao comportamento de um consumidor mais endividado e cauteloso. O “sinal amarelo” está aceso tanto para as famílias quanto para os empresários.
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