Na prática, isso significa que cada trabalhador passaria a oferecer menos horas de trabalho
Um novo levantamento do SindiVarejista Campinas e Região repercutiu na imprensa e virou manchete do Correio Popular ao apontar que o fim da escala 6×1 pode elevar os custos do comércio local em até R$ 416,7 milhões por ano.
O estudo, elaborado pelo Departamento Econômico da entidade com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024, estima ainda que seriam necessárias 10.696 novas contratações para manter o atual nível de funcionamento das empresas do varejo.
A proposta em debate prevê a substituição da escala 6×1 (seis dias trabalhados por um de descanso) pelo modelo 5×2, com redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial.
Na prática, isso significa que cada trabalhador passaria a oferecer menos horas de trabalho. Para manter lojas abertas de segunda a sábado — ou todos os dias, como ocorre em supermercados e shopping centers — seria necessário ampliar significativamente o quadro de funcionários.
Segundo o economista do SindiVarejista, Jaime Vasconcellos:
“Se cada trabalhador passa a trabalhar menos horas, mas o comércio precisa manter o mesmo padrão de funcionamento, será necessário contratar mais pessoas para suprir essa demanda.”
Atualmente, o varejo de Campinas conta com cerca de 61,4 mil empregos formais, sendo que aproximadamente 53,5 mil trabalhadores (87,1%) atuam sob jornada de 44 horas semanais, geralmente no modelo 6×1.
Esse grupo representa mais de 2,35 milhões de horas trabalhadas por semana. Com a redução da jornada para 40 horas, o estudo aponta a necessidade de 5.348 novos trabalhadores apenas para manter a operação atual.
Esse cenário geraria um custo adicional de cerca de:
Caso a redução da jornada seja combinada com o fim da escala 6×1 e adoção do modelo 5×2, o impacto se intensifica.
Nesse cenário, a necessidade de contratação pode chegar a 10.696 novos עובדים, elevando o custo adicional para R$ 416,7 milhões anuais.
“Estamos falando de um aumento extremamente elevado e, na prática, inexequível para a maior parte das empresas, especialmente as de pequeno porte”, afirma Vasconcellos.
O estudo destaca que cerca de 80% dos estabelecimentos varejistas de Campinas possuem até nove funcionários, evidenciando a forte presença de micro e pequenas empresas no setor.
Esses negócios operam com margens reduzidas, o que dificulta a absorção de custos adicionais dessa magnitude.
Além disso, os dados do Novo Caged mostram que, em 2025, o saldo líquido de empregos no varejo foi de apenas 286 vagas, número muito inferior à necessidade projetada de mais de 10 mil trabalhadores.
O levantamento também alerta para possíveis efeitos indiretos, como:
“Parte desse aumento pode ser repassada aos preços, pressionando a inflação e reduzindo o poder de compra das famílias”, explica o economista.
A presidente do SindiVarejista, Sanae Murayama Saito, destaca a importância de um debate amplo sobre o tema.
“É uma discussão legítima, mas precisa ser conduzida com responsabilidade. Uma mudança abrupta pode comprometer a sustentabilidade das empresas e impactar diretamente o emprego e os preços.”
Ela reforça que eventuais mudanças devem ocorrer por meio de negociação coletiva:
“Esse é o caminho mais equilibrado, pois permite considerar as particularidades de cada setor e preservar tanto as condições de trabalho quanto a viabilidade dos negócios.”
Diante dos números apresentados, o estudo conclui que qualquer alteração na jornada de trabalho deve ser amplamente discutida.
Para o comércio varejista de Campinas, a implementação imediata dessas mudanças representa um desafio relevante, com impactos econômicos e operacionais significativos para empresas e consumidores.
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