A cada mês de setembro, volta à pauta a possibilidade de retomada do horário de verão no Brasil. Desde sua extinção, em 2019, o tema divide opiniões, mas uma coisa é certa: para o comércio varejista, os efeitos podem ser extremamente positivos. O horário de verão, tradicionalmente em vigor entre outubro e fevereiro, coincide […]
A cada mês de setembro, volta à pauta a possibilidade de retomada do horário de verão no Brasil. Desde sua extinção, em 2019, o tema divide opiniões, mas uma coisa é certa: para o comércio varejista, os efeitos podem ser extremamente positivos.

O horário de verão, tradicionalmente em vigor entre outubro e fevereiro, coincide com um período estratégico: dias mais longos, temperaturas elevadas, maior circulação de pessoas e, principalmente, datas que movimentam a economia, como a Black Friday, o Natal e o pagamento do 13º salário.
Se no passado a justificativa principal era a economia de energia, hoje os impactos econômicos e sociais devem ser levados em conta.
Mais tempo, mais consumo
A ampliação do período de luz natural estimula as pessoas a permanecerem fora de casa após o trabalho. Isso gera reflexos diretos em ruas comerciais e shoppings, que recebem um fluxo maior de consumidores no início da noite.
Esse comportamento aumenta as chances de compras não planejadas, um dos motores do crescimento do varejo. Roupas, acessórios, eletrônicos, alimentação e conveniência são setores que se beneficiam imediatamente desse cenário.
Benefícios além das lojas
O impacto do horário de verão não se restringe ao comércio. Bares, restaurantes, cinemas e espaços de lazer registram aumento no movimento, impulsionados pela sensação de bem-estar proporcionada pelos dias mais longos.
Outro aspecto relevante é a sensação de segurança. Ambientes naturalmente ilumina
dos reduzem o receio no deslocamento urbano, estimulando famílias, trabalhadores e turistas a permanecerem mais tempo em áreas públicas.
Além disso, destinos turísticos e corredores de comércio de rua ganham fôlego adicional, já que consumidores encontram mais tempo útil e agradável para passear e realizar compras.
Apoio ao pequeno e médio varejo
O pequeno comerciante também se beneficia diretamente. Com o aumento do fluxo de pessoas, surgem novas oportunidades de vendas sem
depender exclusivamente de promoções. Isso ajuda a equilibrar a competitividade em relação às grandes redes e fortalece a economia local.
O horário de verão como estímulo econômico
Vivemos um contexto desafiador, marcado por juros altos, endividamento das famílias e inflação persistente. Nesse cenário, o horário de verão deve ser analisado não apenas pela ótica energética, mas como uma política capaz de gerar estímulo econômico.
Para o comércio varejista, cada hora extra de circulação de pessoas representa mais oportunidades de contato entre consumidores e estabelecimentos. Isso se traduz em mais vendas, maior faturamento e fortalecimento da atividade econômica.
Por tudo isso, defendemos que o debate sobre a volta do horário de verão seja conduzido de forma responsável, mas sem ignorar seus efeitos positivos para o comércio e para a sociedade.
Por Sanae Murayama Saito, presidente do Sindivarejista Campinas