IPCA cai 0,11% e INPC recua 0,21%; Sindivarejista Campinas alerta que redução é pontual
O Brasil registrou a primeira deflação em 12 meses. Segundo dados divulgados pelo IBGE em 10 de setembro, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), principal indicador da inflação oficial, variou -0,11% em agosto, resultado mais expressivo do que a última queda registrada em agosto de 2024 (-0,02%).
O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que mede a inflação das famílias com rendimento de até cinco salários mínimos e serve como base para negociações coletivas, apresentou recuo ainda maior: -0,21% em agosto. Essa foi a primeira deflação do índice desde agosto do ano passado, quando a variação havia sido de -0,14%.
A queda do IPCA foi influenciada principalmente pelos três grupos de maior peso no índice:
No acumulado de 2025, o IPCA soma 3,15%, e nos últimos 12 meses, 5,13%, ainda acima da meta do Banco Central, que é de 3%.
Já o INPC, mais sensível aos preços de alimentos e energia, caiu -0,21% em agosto, acumulando 3,08% no ano e 5,05% em 12 meses, ambos abaixo do IPCA.
O Departamento Econômico do Sindivarejista Campinas avalia que a queda dos preços em agosto representa um alívio temporário para o bolso do consumidor e para o varejo. No entanto, a entidade alerta que a deflação foi pontual, influenciada também pelo chamado “Bônus de Itaipu”, que reduziu contas de energia elétrica de parte dos consumidores residenciais.
Para setembro, a projeção é de que os índices voltem a registrar alta, mantendo a pressão sobre o poder de compra das famílias e sobre o desempenho do comércio varejista.
“Não podemos nos esquecer que, em 12 meses, a inflação brasileira ainda está em torno de 5%, bem acima da meta do Banco Central. É necessário cautela na gestão do orçamento das famílias e atenção do varejo para manter uma boa performance de vendas”, destacou Jaime Vasconcellos economista do Sindivarejista Campinas.
Embora a deflação indique uma queda momentânea nos preços, especialistas alertam que ela não representa necessariamente uma tendência duradoura. Para os consumidores, o recuo pontual em itens básicos como alimentos e energia pode aliviar o orçamento em curto prazo, mas a expectativa é de que a inflação volte a subir já nos próximos meses.
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