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Redução da jornada para 40 horas pode elevar custos do varejo de Campinas em até R$ 416,7 milhões ao ano, aponta estudo

Atualmente, o varejo campineiro conta com cerca de 61,4 mil empregos formais, sendo que aproximadamente 53,5 mil trabalhadores (87,1%) atuam sob jornada de 44 horas semanais, geralmente no modelo 6×1

Uma eventual mudança na legislação trabalhista que reduza a jornada semanal de 44 para 40 horas, aliada ao fim da escala 6×1, pode gerar um impacto significativo no comércio varejista de Campinas. Estudo elaborado pelo Departamento Econômico do SindiVarejista, com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024, estima que os custos laborais do setor podem aumentar em até R$ 416,7 milhões por ano.

De acordo com o levantamento, o principal efeito da redução da jornada é a diminuição da oferta de horas trabalhadas por funcionário. “Se cada trabalhador passa a trabalhar menos horas, mas o comércio precisa manter o mesmo padrão de funcionamento, será necessário contratar mais pessoas para suprir essa demanda”, explica economista da entidade Jaime Vasconcellos.

Impacto direto na mão de obra

Atualmente, o varejo campineiro conta com cerca de 61,4 mil empregos formais, sendo que aproximadamente 53,5 mil trabalhadores (87,1%) atuam sob jornada de 44 horas semanais, geralmente no modelo 6×1.

Segundo o economista, esse grupo representa um volume de mais de 2,35 milhões de horas trabalhadas por semana. Com a redução para 40 horas, seria necessária a contratação de até 5.348 novos trabalhadores apenas para manter o nível atual de operação.

“Esse aumento no quadro de funcionários geraria um custo adicional mensal de cerca de R$ 16,6 milhões, chegando a mais de R$ 208 milhões por ano, já corrigidos pela inflação”, detalha Vasconcellos.

Mudança na escala amplia impacto

O estudo aponta que o impacto pode ser ainda maior caso haja também a substituição da escala 6×1 pela 5×2. Nesse cenário, cada trabalhador passaria a contribuir com menos dias de trabalho por semana, exigindo uma ampliação ainda maior das equipes.

A estimativa indica a necessidade de até 10.696 novos trabalhadores, o que elevaria o custo adicional para aproximadamente R$ 416,7 milhões anuais.

“Estamos falando de um aumento extremamente elevado e, na prática, inexequível para a maior parte das empresas, especialmente as de pequeno porte”, afirma o economista.

Pequenos negócios seriam os mais afetados

Outro ponto de destaque do estudo é o perfil do varejo local: cerca de 80% dos estabelecimentos possuem até nove funcionários, o que evidencia a predominância de micro e pequenas empresas.

Para Jaime Vasconcellos, isso torna o cenário ainda mais desafiador. “Essas empresas operam com margens mais apertadas e dificilmente teriam capacidade financeira para absorver um aumento dessa magnitude nos custos”, pontua.

Além disso, o economista ressalta que a geração automática de empregos, muitas vezes associada à redução da jornada, não se sustenta diante dos números. Em 2025, o saldo líquido de empregos no varejo de Campinas foi de apenas 286 vagas, segundo o Novo Caged.

“Comparar esse número com a necessidade potencial de mais de 10 mil trabalhadores deixa claro que não há viabilidade prática para essa expansão imediata”, afirma.

Riscos para o setor e para o consumidor

O estudo também alerta para possíveis efeitos indiretos, como redução do horário de funcionamento das lojas, diminuição do quadro de funcionários e até fechamento de empresas.

Segundo Vasconcellos, mesmo alternativas como reorganização de turnos ou investimento em tecnologia não eliminariam o problema. “Essas medidas apenas amenizam o impacto, mas trazem novos custos operacionais e financeiros”, diz.

Outro ponto de atenção é o repasse de custos ao consumidor. “Parte desse aumento pode ser incorporada aos preços de bens e serviços, pressionando a inflação e reduzindo o poder de compra das famílias”, completa.

Sindivarejista defende debate amplo

A presidente do Sindivarejista Campinas e Região, Sanae Murayama Saito, destaca que o tema exige cautela e diálogo.

“É uma discussão importante e legítima, mas precisa ser conduzida com responsabilidade. Os números mostram que uma mudança abrupta pode comprometer a sustentabilidade das empresas e impactar diretamente o emprego e os preços”, afirma.

Sanae defende que eventuais mudanças sejam tratadas por meio de negociação coletiva. “Esse é o caminho mais equilibrado, pois permite considerar as particularidades de cada setor e construir soluções que preservem tanto as condições de trabalho quanto a viabilidade dos negócios”, conclui.

Debate segue em pauta

Diante da complexidade do tema, o estudo reforça que qualquer alteração na jornada e nas escalas de trabalho deve ser amplamente debatida. Para o setor varejista de Campinas, a adoção imediata dessas mudanças pode representar um desafio significativo, tanto do ponto de vista econômico quanto operacional.


 

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