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Trabalhadores com 50 anos ou mais crescem 44% no comércio de Campinas em uma década

Setor soma quase 15 mil profissionais 50+ em 2025 e avanço dessa faixa etária foi decisivo para saldo positivo de empregos formais

O número de trabalhadores com 50 anos ou mais no comércio de Campinas cresceu 44% em dez anos, segundo levantamento do Sindivarejista Campinas com base em dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) e do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Em 2015, o setor contava com 10.360 profissionais nessa faixa etária; em 2025, o total chegou a 14.916 vínculos formais, um acréscimo de 4.556 empregos.

No mesmo período, o estoque total de empregos formais no comércio campineiro — que engloba os segmentos de varejo, atacado e comércio e reparação de veículos — passou de 93,6 mil para 94,4 mil vínculos, crescimento de apenas 0,8%. De acordo com o Sindivarejista, isso mostra que o avanço dos trabalhadores 50+ foi determinante para que o setor mantivesse saldo positivo ao longo da década.

“Quando analisamos os dados por faixa etária, fica claro que o crescimento do emprego no comércio de Campinas está cada vez mais concentrado nos trabalhadores mais experientes”, afirma o economista do Sindivarejista de Campinas e Região, Jaime Vasconcelos. “Enquanto faixas intermediárias perderam postos de trabalho, os profissionais com 50 anos ou mais foram os grandes responsáveis por sustentar o nível de emprego formal no setor.”

Participação dos trabalhadores 50+ aumenta no comércio

Além do crescimento em números absolutos, a participação dos trabalhadores 50+ no comércio de Campinas também avançou de forma significativa. Em 2015, eles representavam 11,1% do total de empregados do setor. Em 2025, essa fatia chegou a 15,8%, o maior crescimento proporcional entre todas as faixas etárias analisadas no período.

Para Jaime Vasconcelos, esse movimento está diretamente ligado às mudanças demográficas e ao próprio mercado de trabalho brasileiro. “A expectativa de vida aumentou e as aposentadorias estão acontecendo cada vez mais tarde. Somado a isso, o aquecimento do mercado formal após 2020 ampliou a demanda por mão de obra, abrindo espaço também para profissionais mais experientes”, explica.

Supermercados lideram número de trabalhadores 50+

Entre os segmentos do comércio que mais empregam trabalhadores com 50 anos ou mais em Campinas, os supermercados aparecem na liderança, com 1.736 profissionais nessa faixa etária. Em seguida estão:

  • Hipermercados: 607 trabalhadores 50+
  • Varejo de vestuário e acessórios: 577
  • Varejo de automóveis, camionetas e utilitários novos: 564
  • Minimercados, mercearias e armazéns: 553

Segundo o Sindivarejista, esses setores costumam demandar características como responsabilidade, estabilidade emocional, comprometimento e bom relacionamento com o cliente — atributos frequentemente associados a profissionais mais experientes.

Experiência vira diferencial competitivo no varejo

A presidente do Sindivarejista Campinas, Sanae Murayama Saito, destaca que o envelhecimento da força de trabalho deve ser encarado como uma oportunidade estratégica para o comércio. “Os trabalhadores 50+ trazem uma bagagem profissional importante, especialmente no atendimento ao público, que é um diferencial competitivo no varejo. Empresas que superam estereótipos etários e investem em ambientes inclusivos tendem a reter mais talentos e reduzir a rotatividade”, afirma.

Ela ressalta ainda que muitos desses profissionais possuem maior escolaridade ou qualificação, o que contribui para a produtividade do setor. “Valorizar a diversidade etária é uma decisão inteligente do ponto de vista econômico e social. O comércio sempre foi porta de entrada para o primeiro emprego, e continuará sendo, mas os dados mostram que a experiência também tem ganhado espaço”, completa Sanae.

Comércio segue como porta de entrada e de permanência no mercado de trabalho

O levantamento também aponta crescimento no número de trabalhadores de até 18 anos, reforçando o papel histórico do comércio como porta de entrada no mercado de trabalho. Ainda assim, o avanço expressivo da população 50+ indica uma mudança no perfil da força de trabalho do setor.

Para a presidente do Sindivarejista, considerar o envelhecimento da população economicamente ativa não como um desafio, mas como uma oportunidade de ganho de produtividade e sustentabilidade, será fundamental para o futuro do comércio na cidade.


 

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