Estudo do SindiVarejista mostra que minimercados e supermercados lideram a geração de empregos em Campinas, enquanto hipermercados registram queda
O varejo de alimentos e bebidas de Campinas passa por uma transformação que já pode ser observada no mercado de trabalho. Enquanto os hipermercados registram redução no número de empregos formais, estabelecimentos de proximidade, como minimercados, mercearias, armazéns e supermercados, lideram a geração de vagas no município.
Levantamento realizado pelo SindiVarejista Campinas e Região, com base em dados do Novo Caged, revela que o setor criou 2.449 empregos com carteira assinada entre abril de 2021 e abril de 2026, um crescimento de 12,4%. No entanto, essa expansão ocorreu de forma desigual entre os diferentes formatos de estabelecimentos.
Entre os 12 segmentos analisados, os minimercados, mercearias e armazéns foram os maiores responsáveis pela criação de empregos, com 747 novas vagas, um crescimento de 25,4% no período.
Na sequência aparecem os supermercados, que abriram 696 postos de trabalho, enquanto o varejo de produtos alimentícios em geral gerou 589 empregos formais.
Também apresentaram crescimento:
Na direção oposta, os hipermercados foram o único segmento a apresentar saldo negativo de empregos.
Entre abril de 2021 e abril de 2026, o estoque de trabalhadores caiu de 3.244 para 2.642 empregados, representando a eliminação de 602 postos de trabalho, uma redução de 18,6%.
Para o economista do SindiVarejista Campinas e Região, Jaime Vasconcellos, os dados mostram uma mudança estrutural no varejo, impulsionada por novos hábitos de consumo e pelas estratégias adotadas pelas empresas.
“O comportamento do consumidor mudou significativamente nos últimos anos. As famílias passaram a valorizar mais a conveniência, a rapidez e a facilidade de acesso aos estabelecimentos. Isso fortalece o varejo de proximidade, que oferece compras mais frequentes e próximas da residência ou do local de trabalho”, explica Jaime Vasconcellos.
Segundo o economista, a preferência por estabelecimentos menores não significa apenas uma mudança no perfil do consumidor, mas também uma adaptação do próprio setor varejista.
“Hoje, muitos consumidores preferem realizar compras menores ao longo da semana, em vez de grandes abastecimentos mensais. Esse comportamento favorece minimercados, mercearias, hortifrutis e lojas de conveniência, que conseguem atender essa demanda com rapidez e praticidade.”
Além da conveniência, fatores urbanos também influenciam essa transformação.
O aumento dos custos de terrenos, aluguéis comerciais e a escassez de grandes áreas disponíveis em Campinas tornam os formatos compactos mais atrativos para novos investimentos.
De acordo com Jaime Vasconcellos, a expansão do varejo de proximidade também está relacionada às decisões estratégicas das empresas.
“Abrir uma unidade menor exige investimentos iniciais mais baixos, reduz custos operacionais e permite maior flexibilidade para atender bairros consolidados da cidade. É uma estratégia que melhora a eficiência operacional e aproxima o varejista do consumidor.”
O economista destaca ainda que a expansão dos atacarejos também influencia a reorganização do setor.
“Os atacarejos ganharam espaço nos últimos anos e passaram a disputar parte do público que antes concentrava suas compras nos hipermercados. Esse movimento contribui para a redistribuição do mercado e reforça a necessidade de adaptação dos diferentes formatos comerciais.”
Na avaliação do SindiVarejista Campinas e Região, os números indicam que o crescimento do emprego no comércio de alimentos e bebidas está cada vez mais concentrado em operações menores, descentralizadas e próximas dos consumidores.
Esse movimento acompanha a evolução da cidade, o adensamento dos bairros e a busca por praticidade no dia a dia, fatores que devem continuar direcionando investimentos e influenciando a configuração do varejo nos próximos anos.
“O emprego formal é um importante termômetro das transformações econômicas. Os dados mostram que o varejo de proximidade deixou de ser uma tendência e passou a ocupar um papel central no abastecimento das famílias campineiras. Tudo indica que esse modelo continuará liderando a expansão do setor nos próximos anos”, conclui Jaime Vasconcellos.
| Segmento | Vagas criadas | Variação |
|---|---|---|
| Minimercados, mercearias e armazéns | +747 | +25,4% |
| Supermercados | +696 | +8,5% |
| Produtos alimentícios em geral | +589 | +60,2% |
| Hortifrutigranjeiros | +286 | +18,7% |
| Padarias e confeitarias | +231 | +16,9% |
| Doces, balas e chocolates | +211 | +71,3% |
| Açougues | +115 | +17,2% |
| Lojas de conveniência | +78 | +100% |
| Hipermercados | -602 | -18,6% |
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