A data costuma funcionar como um termômetro do comportamento do consumidor no início do ano e representa uma oportunidade para o varejo recuperar o ritmo após os primeiros meses

A Páscoa continua sendo a primeira grande data comemorativa do calendário do varejo brasileiro e deve impulsionar as vendas em 2026. De acordo com projeção do SindiVarejista de Campinas e Região, o comércio da região pode registrar crescimento de até 5% nas vendas dos principais produtos consumidos durante a Quaresma e a Páscoa, em comparação com o ano passado.
A data costuma funcionar como um termômetro do comportamento do consumidor no início do ano e representa uma oportunidade para o varejo recuperar o ritmo após os primeiros meses, período marcado por despesas concentradas das famílias, como impostos e material escolar.
Segundo o economista do SindiVarejista, Jaime Vasconcellos, a Páscoa inaugura o calendário sazonal do comércio e tem papel importante na retomada das vendas.
“A Páscoa é tradicionalmente a primeira data comemorativa relevante para o varejo ao longo do ano. Ela serve como um termômetro inicial do consumo e também como oportunidade para o comércio estimular vendas e recompor margens após os primeiros meses do ano”, explica.
Diferentemente do Natal, quando praticamente todos os segmentos do comércio são beneficiados, os efeitos da Páscoa costumam ser mais concentrados em determinados setores.
Os principais beneficiados são:
lojas especializadas em chocolates e doces
supermercados e hipermercados
setores ligados a pescados e alimentos típicos da Quaresma
pequenos produtores e empreendedores da alimentação artesanal
Além do comércio tradicional, micro e pequenos empreendedores também aproveitam a data para aumentar a renda com a produção de ovos de chocolate artesanais, sobremesas e kits personalizados.
“Há uma forte concentração setorial. Chocolates, pescados e itens típicos do período religioso acabam concentrando a maior parte do impacto positivo da data”, afirma Vasconcellos.
A expectativa de crescimento nas vendas está relacionada, principalmente, à manutenção de um mercado de trabalho ainda aquecido. O bom nível de emprego formal e o dinamismo do setor de serviços contribuem para preservar a renda e a confiança das famílias.
Segundo o economista do SindiVarejista, esse cenário ajuda a manter o consumo, mesmo diante de um comportamento mais cauteloso dos consumidores.
“O mercado de trabalho ainda mostra sinais positivos, o que ajuda a sustentar o poder de compra das famílias. Mesmo com maior seletividade nas compras, o consumidor tende a manter a tradição da Páscoa”, destaca.
Apesar da expectativa positiva para as vendas, a alta de preços de alguns produtos tradicionais da data pode limitar um crescimento mais expressivo.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o IPCA-15 acumulado em 12 meses até fevereiro de 2026 aponta aumentos relevantes em itens consumidos no período.
Entre os principais destaques:
chocolate em barra e bombom: +26,11%
chocolate e achocolatado em pó: +20,16%
bacalhau: +8,01%
alimentação fora de casa: +7,30%
Por outro lado, alguns produtos tiveram queda ou estabilidade de preços, o que pode ajudar a equilibrar o orçamento das famílias:
ovos de galinha: -5,14%
pescados: -0,81%
azeite de oliva: -24,12%
“Os chocolates seguem pressionados por custos elevados ao longo da cadeia produtiva. Isso faz com que o consumidor busque alternativas, como marcas mais acessíveis, promoções ou até produtos artesanais”, explica Vasconcellos.
Com o aumento de preços em alguns itens, a tendência é que o consumidor adote uma postura mais racional na hora de comprar.
De acordo com o economista do SindiVarejista, promoções antecipadas, ofertas de queima de estoque e produtos artesanais devem ganhar espaço nas escolhas dos consumidores.
“O consumidor tende a pesquisar mais, priorizar promoções e avaliar alternativas mais acessíveis. Mesmo assim, a tradição da Páscoa costuma ser preservada, ainda que com ajustes no orçamento familiar”, afirma.
A avaliação do SindiVarejista é que a Páscoa de 2026 deve registrar desempenho positivo, porém moderado, na região de Campinas.
“A data reforça seu papel como a primeira grande oportunidade de vendas do primeiro semestre, ainda que seus efeitos permaneçam concentrados em alguns segmentos específicos do varejo”, conclui Vasconcellos.
Fique por dentro das novidades do SindiVarejista.
=> Cadastre-se no nosso Boletim de Notícias (Newsletter). Basta preencher o formulário ao final da página.