Loja Modelo faz sucesso na Feira do Empreendedor

30 . out . 2012 Print This Article

Etiquetas inteligentes, catálogos que não precisam ser folheados e até provadores que sugerem combinações de roupas ao cliente. Tudo isso num ambiente que valoriza as vitrines, a disposição dos produtos e a organização do espaço. A Loja Modelo, um dos grandes chamarizes da Feira do Empreendedor do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), realizada na capital paulista, é um exemplo do quanto as modernas técnicas de visual e ambientação, aliadas à automação comercial, podem ampliar as vendas em até 40%, dependendo do nível de organização da loja, de acordo com o consultor de marketing e varejo do Sebrae-SP, Gustavo Carrer. 

Entre as novidades, as soluções que utilizam tecnologia de ponta para impulsionar a gestão de varejo foram o destaque. Exemplo é o sistema RFID (Radio Frequence Identification), que cria o controle do entrada e saída de mercadorias a partir da etiqueta do produto. Ou seja, é como se cada peça tivesse um RG, já que uma antena ligada ao ponto de venda capta dados de cada produto que entrar ou sair, inclusive por trocas. Com isso, o sistema identifica se um produto está em  local incorreto – como uma peça feminina na parte masculina. Ao exibir a foto da que está fora da ordem, ele permite corrigir a falha em tempo real.

"Com o aparelho leitor de etiquetas, é possível fazer um inventário, que antes levava quatro dias, em 40 minutos", disse o diretor da Vip-Systems, Fabián Romano. O sistema varia de acordo com a dimensão de cada estabelecimento, mas no caso de um similar à Loja Modelo, de 90 m², custa a partir de R$ 40 mil. Para cada etiqueta o investimento fica em torno de R$ 0,40. A tecnologia pode ser adaptada para outras áreas da loja, como provadores – caso da loja de moda jovem Billabong, em Alphaville, uma das pioneiras no conceito de loja inteligente. "Inovar só depende do lojista", completou Romano.

Ambientação

Ao reproduzir o interior de uma loja de rua de roupas femininas, a Loja Modelo destacou itens como precificação à vista do cliente, adequação dos provadores e até araras e cabides modulares adaptados ao produto. O espaço para trânsito dentro da loja também não foi esquecido, além da música ambiente, iluminação direta e até aromatização. Segundo Gustavo Carrer, um elemento importante é a organização da vitrine, com a ajuda de anteparos para facilitar a visualização e a atração de consumidores.  

"Além de direcionar a visão para o produto, ela deve chamar a atenção em poucos segundos, sem excessos", explicou. O excesso é um dos erros mais cometidos pelos lojistas. "Na ânsia de vender, muitas vezes cria-se uma ambientação poluída. Isso gera confusão na cabeça do consumidor, que fica sem saber a proposta da loja", alertou. 

Para melhorar a organização, a Loja Modelo foi montada dentro dos conceitos de direita e esquerda. O primeiro, para reunir produtos de uso mais frequente ou itens de compra por impulso, já que é para onde geralmente o consumidor olha quando entra na loja. No segundo, onde há menor fluxo de público, ficam os produtos de destino, ou seja, o foco principal da compra. "A ideia é que o cliente tenha mais tranquilidade para tomar sua decisão num espaço menos movimentado", disse. 

Mais vendas

De modo geral, montar um estabelecimento comercial nos moldes da Loja Modelo custa em torno de R$ 80 mil sem estoques, segundo Carrer. Mas nem sempre é preciso um investimento alto: dependendo de como a loja é organizada, dá para implantar melhorias sem gastar, ou com um baixo investimento, em torno de R$ 700. "Quanto mais desorganizada a loja, maior a necessidade de avaliar o que precisa ser melhorado. É nesses casos que se tem resultados de até 40% de alta nas vendas, só com a aplicação das técnicas", destacou. 

Com empreendimento estabelecido em Rio Claro (a 170 km da Capital), o sócio de uma loja de produtos terapêuticos, Adriano Santos, que veio para a Feira se atualizar nas tendências do varejo, contou que se sentiu "feliz e chateado" ao mesmo tempo com o que viu na Loja Modelo. "É ótimo por nos dar uma boa referência, mas ruim porque não dá para aplicar todas essas soluções amanhã", brincou. Para ele, um dos maiores entraves do empresário do varejo é a falta de coragem de colocar toda essa consistência em prática. "Crescer ou não crescer é algo que se decide diariamente, e boa parte depende de ter mais qualificação e conhecimento desse mercado", concluiu.

Nos jogos, a administração virtual

Mais do que fazer networking e conhecer novidades para inovar nos negócios, muitos empreendedores que foram à Feira do Sebrae lotaram o espaço dedicado aos jogos empresariais. O Desafio Sebrae, criado inicialmente para estudantes universitários simularem virtualmente a administração fictícia de uma empresa, foi aberto a todos os participantes como uma forma de diagnosticar o seu próprio negócio ou guiar sua trajetória profissional por meio do empreendedorismo, segundo o consultor de desenvolvimento e inovação Marcos Galini. 
 
"Através de rodadas de gerenciamento de uma empresa de polpas de frutas, sorvetes e sucos, é possível ‘degustar’ esse universo para descobrir qual o conhecimento sobre gestão empresarial e o que é preciso para melhorar", explicou.  

O game de negócios atraiu a atenção de "jogadores" de todos os perfis, em busca de informações diferentes dos negócios em que atuam hoje, nas duas rodadas de três horas cada. O desafio: tomar decisões e correr riscos necessários para o empreendimento ter sucesso.

Exemplo disso é a especialista em serviços de preservação ambiental Lílian Mammana, que participou em busca de "inovação empresarial". Ou a proprietária de uma empresa de traduções e eventos Sylvia Márcia Belinky, atrás de informações para reaproveitar resíduos "não utilizados nem no lixão", como o isopor.
 
Já a consultora de RH Luciana Marques Pimenta, que queria entender e explorar nichos como PMEs, "ainda sem tecnologia, nem tradição de coaching", também buscou dicas de gestão pelo interesse em abrir um café. "Como empreendedora, é importante experimentar outra coisa", frisou.
 
Desafio 

Nos quatro dias de evento, oito participantes ganharam as rodadas do Desafio Sebrae, e a primeira vencedora foi a estudante de administração Neusa Solon Mota, 32, que trabalha na área de recrutamento e seleção numa empresa de serviços terceirizados. O susto inicial com o jogo – gerir uma atividade diferente da qual está acostumada – se tornou um desafio que exigiu "muito tato", segundo ela.
 
"Ter de fazer um investimento sem ter o dinheiro em si me incomodou, a princípio. Mas lembrei que quem é empreendedor tem de ter visão de futuro, criar estratégias de longo prazo para não dar um tiro no escuro, acabar falindo", disse ela, que tem planos de empreender na área de RH no futuro e ganhou, como os demais vencedores, uma bolsa de estudos de R$ 1 mil para o curso de capacitação empresarial de empreendedores com ou sem empresa da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores.
 
Uma nova ‘secretária’
 
Um empreendedor que trabalha para que os micro, pequenos e médios empreendedores não percam negócios, nem deixem de atender seus clientes com rapidez e qualidade. Esse é o mote do "Número Mágico", solução da Prestus – Assistentes Virtuais 24 horas, que marcou presença na Feira do Empreendedor do Sebrae-SP e se destacou pelo estande sempre cheio de visitantes em busca de resolver um velho problema: falta de tempo.
 
Nascida da experiência pessoal do CEO Alexandre Borin Cardoso – um ex-executivo de telecom que percebeu que gastava muito tempo com tarefas não ligadas à sua responsabilidade por falta de assistentes, e pediu demissão para se dedicar à Prestus – a ideia se baseia num conceito simples. Por meio de um número que acompanha o profissional no dia a dia, é possível fazer o redirecionamento de chamadas do seu celular, empresa ou home-office quando ele estiver ocupado, para que uma secretária remota anote recados, pegue pedidos ou confirme compromissos – por 24 horas, se preciso. 
 
Com ajuda da "secretária virtual" também é possível localizar um endereço, confirmar reuniões, consultas e ligar para call-centers, além de fazer pesquisas de preços nas compras pessoais ou da empresa.
 
"O objetivo, além de fazer com que os empresários estejam sempre disponíveis para clientes e parceiros, é não sobrecarregar seu dia a dia e melhorar sua qualidade de vida. Além de tudo, toda essa tecnologia e comodidade são oferecidas por um valor bastante acessível às PMEs. Grandes empresas também têm aderido ao serviço como investimento em produtividade", explicou Borin. Ele afirmou que o serviço ajuda a cortar custos em 45%, além de aumentar a produtividade em até 25%.
 
A Prestus, criada há três anos, ganhou em 2010 o prêmio Converge de Inovação Digital como startup inovadora, na categoria "Empreendedorismo" com o "Clube de Serviços", uma assistência de retaguarda 24 horas para profissionais e empresas.

Fonte: Diário do Comércio

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