Racionamento voluntário de água já é realidade entre as redes varejistas

23 . jan . 2015 Print This Article

A ampliação no número de caixas d´água como forma de armazenamento, redução do uso de materiais que demandam lavagem posterior e a utilização de lava-louças – atualmente econômicas -, estão entre as iniciativas de algumas empresas que passaram a adotar racionamento voluntário.

Com a perspectiva do início do esquema de racionamento em São Paulo, empresas de alimentação, como restaurantes e redes de fast food, começam a preparar para evitar queda nas receitas que serão geradas ao longo deste ano, sendo que algumas adaptações podem reduzir o consumo de água em até 30%.

"Em setembro do ano passado começamos a nos preocupar com a possível falta de água na capital. Para que as franquias não fiquem desabastecidas, já que fornecemos todos os produtos vendidos, aumentamos o número de caixas de água dentro da fábrica, reativamos uma com capacidade de 11 mil litros que tinha sido inutilizada anteriormente e, se for necessário, compraremos água de carros-pipas", afirmou o diretor da rede de franquias Mr. Cheney, Lindolfo Paiva.

Só na ampliação dos reservatórios de água na fábrica da companhia, Paiva afirmou ter investido R$ 15 mil. "Se for necessário, nós também implantaremos outros sistemas para economizar água. Mas como a estrutura que temos hoje, creio que consiguiremos atender 200 unidades, isso se o racionamento for por períodos curtos".

Ao atuar no segmento alimentar, o uso da água – tanto para fabricação dos alimentos quanto na manutenção da limpeza de pontos de venda – exigiu alguns ajustes. Mas a rede acredita que conseguirá fazer com que as 42 unidades hoje em operação economizem de 20% a 30% do consumo. "Reorganizamos alguns processo de limpeza dos equipamentos e as lojas estão sendo equipadas com lava-louças, pois trabalhamos com café também. Aconselhamos os franqueados a juntar um número significativo de pratos, xícaras de café e talheres antes de ligar o equipamento", conclui Paiva.

Estratégia

A rede de fast food Mc Donald´s afirmou estar pronta para uma possível faltab de água crônica, como enfatizou o vice-presidente de marketing para a América Latina da companhia, Roberto Gnypek. "As lojas já são equipadas com sistemas de reúso, além de torneiras econômicas, que dispensam menos água nos banheiros e na cozinha", disse.

Gnypek ainda sinalizou um possível aumento na capacidade de todas as caixas de água da rede, que estão localizadas em metade das 840 lojas que a companhia mantém no Brasil. "Se for preciso, toda a capacidade de armazenamento deverá ser ampliada, o que ainda está em fase de estudos".

Apesar da preparação, que Gnypek esclarece "ser somente uma possibilidade" – sem a certeza de que os planos deverão ser colocados em prática no País – pode ser complicada nas lojas da região metropolitana, localizadas em shoppings centers, isso porque elas dividem esses locais com outros lojistas, além de não serem responsáveis diretamente pelas caixas d´água desses empreendimentos. Em todo o País, 420 lojas do McDonald´s estão em centros de compras.

Por ser responsável pela manutenção da água dos lojistas, os shoppings centers também já programaram medidas para a redução do consumo de água. O Grand Plaza Shopping inaugurou no início de maio do ano passado, em Santo André, um sistema de reúso de água que consumiu investimentos médios de R$ 5 milhões ao empreendimento.

Segundo a empresa, a tecnologia permite que aproximadamente 100% do esgoto gerado pelo centro de compras seja tratado internamente e devolvido para reúso. Isso ocorre em operações como lavagem de estacionamento, descargas em vasos sanitários, torres de resfriamento para ar-condicionado e regas de jardim.

Instalado em uma área de 178 mil metros quadrados, o sistema vai gerar economia de 48% no consumo de água, resultante de t&eeacute;cnicas de reutilização que dispensam a aquisição junto às redes convencionais de abastecimento. O volume de esgoto a ser tratado e reutilizado como água corresponde mensalmente a 8,3 milhões de litros.

No acumulado do ano, representaria uma economia aproximada de 100 milhões de litros de água, o suficiente para encher 36 piscinas olímpicas ou abastecer uma comunidade de até 300 mil pessoas.

Água

A estiagem, que castiga os níveis dos reservatórios que abastecem 20 milhões de pessoas nos domicílios e estabelecimentos comerciais da região metropolitana de São Paulo, começou a ser discutida no início de 2014. Isso aconteceu quando os níveis do reservatório da Cantareira – formado por seis represas – baixou para a menor marca de sua história, com um nível de 28%.

Em um ano, além do esgotamento do reservatório da Cantareira, que fornece água para mais de 6,5 milhões de pessoas; dois contingentes da chamada reserva técnica foram utilizados. Essas medidas para sanar o problema foram apenas paliativas, tornando o racionamento necessário, a fim de evitar um total colapso.

DCI

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