Sebrae aponta que mulheres empreendedoras são maioria

23 . ago . 2012 Print This Article

Um estudo do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), divulgado no começo deste mês, revelou que o número de mulheres à frente de microempreendimentos tem crescido no País, especialmente no que diz respeito à prestação de serviços.
 
De acordo com o levantamento, enquanto elas gerenciam 52% dos negócios, o número de homens nesta mesma função corresponde a 48%. Já na indústria, em contrapartida, a quantidade de mulheres se equipara a dos homens, ambos com 50% cada.

“As mulheres conduzem cerca de um terço das micro e pequenas empresas no Brasil. Mas entre os Empreendedores Individuais, a participação é maior, quase a metade do total”, ressaltou o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.
 
Motivos para o destaque

Entre as razões para o crescimento deste público no universo dos negócios está a flexibilidade de horários. “A possibilidade de trabalhar em casa e ter uma fonte de renda atrai as mulheres para empreender”, completa Barretto.
 
Não é à toa, por exemplo, que das dez maiores atividades entre os MEI, a mulher esteja presente em cinco delas.
 
“Nos serviços de estética e cuidados com a beleza elas representam 97% e entre os cabeleireiros, 77%. Já na comercialização de alimentos para consumo doméstico, representam 75%”, informa o Sebrae.
 
Apenas na construção civil é que as mulheres ainda são minoria, representando 5% do total.

Entre elas

Entre as atividades mais frequentes entre as mulheres em todo o Brasil está o varejo de artigos de vestuário e acessórios, que registra 75% de participação de mulheres no comando. É a prova de que as brasileiras estão entre as mais empreendedoras do mundo.

E nessa lista, certamente aparece a lojista Sirlei Colle Dias, de 77 anos, que por causa das clientes, passou a ser mais conhecida como Shirley, dona da Shirley Modas com lojas no Shopping Jardim das Américas e também na Rua Getulio Vargas, no bairro Água Verde, em Curitiba. “Todo mundo dizia: vou lá na Shirley, vou lá na Shirley… e meu nome que é Sirlei acabou virando Shirley”, conta a lojista que há 40 anos resolveu abrir uma portinha no Água Verde e hoje tem duas lojas e 12 funcionárias.

A filha de Sirlei (ou Shirley), Lizandra Telles, sócia-proprietária das lojas, conta que a mãe sempre teve perfil de empreendedora. “Até hoje, aos 77 anos, minha mãe não deixa de ir para trás do balcão. Não adianta falar para ela descansar, ficar em casa que, no outro dia, lá está ela trabalhando. É a típica mulher empreendedora”, conta a filha orgulhosa.

Mas do tempo em que a dona Sirlei começou, na década de 70, até hoje, o perfil dos novos empreendedores brasileiros mudou bastante. Comparando apenas os últimos 10 anos, o salto já e gigante.  Se, em 2001, havia 71% de homens a frente de novos negócios contra apenas 29% de mulheres, em 2010, essa razão quase se iguala: entre os que chefiam empreendimentos novos há 51% de homens e 49% de mulheres, de acordo com pesquisa realizada pelo Sebrae e Global Entreperneuship.

“Convivo com muitas mulheres que comandam lojas e posso te dizer, sem modéstia, que nós mulheres temos um feeling especial na hora de comprar para vender. E tem outro detalhe, na nossa loja, por exemplo, o segredo é bater papo com a cliente, saber o que ela quer, só assim é possível ter sucesso”, conta Lizandra.

No comando

A última grande pesquisa feita sobre o assunto, da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), mostrou ainda que as as mulheres são metade dos empreendedores brasileiros (49,3%), o que representa 10,4 milhões de mulheres comandando suas empresas. Um outro levantamento feito pelo Sebrae aponta que de cada 100 Empreendedores Individuais (MEI), 45 são mulheres. E cerca de 61 mil delas estão à frente de uma franquia, que fatura até 32% a mais do que as lojas gerenciadas por homens, segundo a consultoria Rizzo Franchise, especializada nesse tipo de negócio. Ao todo, as mulheres são responsáveis pelo sustento de 35% dos lares brasileiros.

E quando se fala em comando, vale destacar que, além dos cargos de direção, as mulheres também são maioria nos cargos de gerência do setor de varejo de vestuário e acessórios. É o caso da gerente da Loja Kipling, do Shopping Mueller, Angela Lechechen, de 29 anos. Ela conta que toda a rede Kipling tem mulheres na gerência. “A rede Kipling em todo o país tem 32 gerentes e todas são mulheres. Vendemos bolsas e acessórios e não é a toa que as mulheres têm mais facilidade”, conta Angela. 

A pesquisa

Realizado entre março e abril de 2012, o estudo contou com a participação de 11,5 mil pessoas em todas as capitais e municípios de médio e pequeno porte no País. Até ser concluído, o total de EI no Brasil era de cerca de 2,1 milhões. Hoje, este número passa dos 2,6 milhões. A análise levou em consideração também os dados fornecidos pela Receita Federal até o dia 30 de abril de 2012.

Atividade mais frenquente entre as mulheres                                            Nº                               Percentual
Varejo de artigos vestuário e acessórios                                                       159.961                                 75%
Cabeleireiros                                                                                                        115.493                                 77%
Obras de alvenaria                                                                                                   1.654                                   3%
Lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares                                        33.223                                 56%
Varejo de mercadorias (minimercados, mercearias e armazéns)              25.115                                 47%
Bares                                                                                                                         23.395                                 46%
Atividades de estética e outros serviços de beleza                                         46.076                                 97%
Fornecimento de alimentos preparados para consumo                                30.518                                 77%
Instalação e manutenção elétrica                                                    &nbsnbsp;                      2.606                                  7%
Reparação e manutenção de computadores e equipamentos                       4.006                                 11%

Fonte dados: Sebrae a partir de dados da Receita Federal

Fonte matéria: InfoMoney e Sindishopping

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