Apesar da leve queda em relação a 2025, turnover chegou a 29,6% na cidade; no comércio, índice foi de 31,6%
Campinas registrou, no primeiro semestre de 2026, a segunda maior taxa de rotatividade da mão de obra formal da série histórica iniciada em 2020, segundo levantamento realizado pelo Sindivarejista Campinas com base em dados do Novo Caged. O índice ficou em 29,6%, uma leve redução em relação aos 30,3% registrados no mesmo período de 2025.
A rotatividade, também conhecida como turnover, mede a movimentação dos trabalhadores no mercado de trabalho em determinado período, considerando admissões e desligamentos em relação ao total de vínculos ativos.
Na prática, o índice de 29,6% significa que quase três em cada dez posições ocupadas em Campinas passaram por movimentação de trabalhadores no período analisado. A cidade encerrou 2025 com aproximadamente 432,5 mil vínculos formais.
Entre os grandes setores da economia de Campinas, o comércio apresentou uma das maiores taxas de rotatividade no primeiro semestre de 2026, com 31,6%, ficando atrás apenas da construção civil, que registrou 42,2%.
A indústria apresentou o menor índice entre os setores analisados, com 14,9%. Já os serviços registraram 30,1%, enquanto a agropecuária ficou em 24,8%.
Taxa de rotatividade no 1º semestre de 2026:
“No comércio, apesar da pequena redução em relação ao primeiro semestre de 2025, quando a taxa chegou a 32,7%, o índice de 2026 também representa a segunda maior taxa dos últimos sete anos”, explicou o economista do SindiVarejista, Jaime Vasconcellos.
A série histórica do setor mostra uma trajetória de crescimento da rotatividade: o índice passou de 16,6% no primeiro semestre de 2020 para 23,9% em 2021, 27,1% em 2022, 27,5% em 2023, 31,2% em 2024, 32,7% em 2025 e 31,6% em 2026.
Para o Sindivarejista Campinas, o avanço da rotatividade está relacionado, entre outros fatores, a um mercado de trabalho aquecido e à maior oferta de oportunidades profissionais.
“Com mais vagas disponíveis, os trabalhadores passam a ter maior possibilidade de buscar empregos que ofereçam melhores salários, benefícios, perspectivas de crescimento, condições de trabalho e equilíbrio entre vida profissional e pessoal”, afirmou o especialista.
A própria diversidade da economia de Campinas também contribui para esse movimento. A cidade reúne setores com diferentes níveis de qualificação e intensidade de contratação, o que favorece a migração de profissionais entre empresas, ocupações e segmentos.
Setores que apresentam maior sazonalidade ou ciclos de contratação mais rápidos, como construção civil e comércio, tendem
naturalmente a registrar maior número de admissões e desligamentos.
Para as empresas, especialmente as de menor porte, a elevada rotatividade representa um desafio financeiro e operacional. Cada substituição envolve custos com recrutamento e seleção, admissão, treinamento, integração e desligamento, além do período necessário para que o novo funcionário se adapte às atividades.
Segundo a presidente do Sindivarejista, Sanae Murayama Saito, diante desse cenário, as empresas precisam investir em estratégias de atração e retenção de profissionais, com processos seletivos mais assertivos, capacitação, ambientes de trabalho adequados, remuneração competitiva e uso de inovação e tecnologia.
“Ao mesmo tempo, a mobilidade profissional também faz parte da dinâmica do mercado de trabalho. A busca por melhores oportunidades é legítima por parte dos trabalhadores, mas uma rotatividade muito elevada pode dificultar a construção de uma trajetória profissional de longo prazo, com acúmulo de experiência e desenvolvimento dentro de uma mesma organização”, disse.
“O desafio, portanto, é encontrar um equilíbrio entre a mobilidade dos trabalhadores e a retenção de profissionais pelas empresas, de forma a contribuir para relações de trabalho mais estáveis e para o desenvolvimento do mercado de trabalho de Campinas”, enfatizou.
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