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Economia Prateada: como o envelhecimento da população está transformando o comércio

Participação da população acima de 50 anos em Campinas supera as médias paulista e brasileira

Cada vez mais estudos evidenciam o crescimento da importância da chamada Economia Prateada, termo utilizado para descrever a participação da população com 50 anos ou mais na dinâmica econômica e social. Em Campinas, essa transformação é ainda mais evidente do que na média nacional.

Dados do Censo Demográfico do IBGE mostram que o município concentra uma população acima de 50 anos proporcionalmente maior do que a observada no Estado de São Paulo e no Brasil, indicando que o envelhecimento populacional exerce — e continuará exercendo — impactos cada vez mais relevantes sobre o perfil do consumidor, o mercado de trabalho e as estratégias do comércio.

Em 2010, Campinas possuía 255,7 mil moradores com 50 anos ou mais, o equivalente a 23,7% da população. No Censo de 2022, esse contingente saltou para 353 mil pessoas, passando a representar 31% dos habitantes do município. O percentual supera o registrado no Estado de São Paulo (29,8%) e no Brasil (27,7%), evidenciando que a cidade vivencia esse processo de envelhecimento de forma ainda mais intensa. Em outras palavras, praticamente um em cada três campineiros já tem mais de 50 anos.

No cenário nacional, essa mudança também é expressiva. Dados levantados pelo SindiVarejista Campinas junto ao IBGE mostram que a população brasileira com 50 anos ou mais passou de 39 milhões de pessoas, em 2010, para 56,3 milhões em 2022. Em pouco mais de uma década, sua participação na população total aumentou de 20,4% para 27,7%, consolidando uma transformação demográfica que influencia cada vez mais os padrões de consumo.

Essa realidade foi reforçada recentemente por uma pesquisa da Data8, segundo a qual os brasileiros com 50 anos ou mais já movimentam cerca de R$ 1,8 trilhão por ano em consumo, com potencial para alcançar R$ 3,8 trilhões até 2044, quando deverão responder por aproximadamente 35% de todo o consumo do país. O estudo mostra, ainda, que 76% desse público representam a principal fonte de renda da família e que 39% são a única fonte de renda do domicílio.

“Essa transformação, entretanto, não ocorre apenas do lado do consumidor. Ela também já pode ser observada dentro das empresas”, afirmou o economista do SindiVarejista, Jaime Vasconcelo.

Os dados mais recentes da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), coletados e analisados pelo SindiVarejista Campinas, mostram que o comércio de Campinas encerrou 2025 com mais de 94,1 mil trabalhadores formais, dos quais 16,5 mil têm mais de 50 anos.

Entre 2022 e 2025, esse contingente cresceu 30,9%, o equivalente à criação de 3,9 mil novos empregos. “Trata-se da faixa etária que apresentou o maior saldo positivo de vagas no mercado de trabalho do comércio local nesse período. Em outras palavras, o envelhecimento ocorre simultaneamente dos dois lados do balcão: quem compra está mais velho, mas quem atende esse consumidor também”, disse.

Para o empresário, essa mudança representa muito mais do que uma alteração demográfica. Segundo a Data8, no Sudeste, a cesta de consumo das pessoas acima de 50 anos concentra-se principalmente em habitação (29%), alimentação (22%), assistência à saúde (16%) e transportes (16%), evidenciando um consumidor que valoriza conforto, bem-estar, qualidade de vida e segurança.

“Esse cenário amplia as oportunidades para diversos segmentos do comércio, como supermercados, lojas de materiais de construção, móveis e decoração, farmácias, produtos naturais, vestuário, calçados, artigos esportivos e serviços voltados ao autocuidado. Mais do que vender produtos, será cada vez mais importante compreender as prioridades desse consumidor e oferecer soluções alinhadas às suas necessidades e ao seu estilo de vida”, afirmou a presidente do SindiVarejista Sanae Murayama Saito.

“Preparar-se para essa transformação significa revisar estratégias de negócio sob diferentes aspectos. A comunicação deve utilizar linguagem clara, objetiva e inclusiva, enquanto campanhas publicitárias precisam representar consumidores maduros de forma positiva e ativa. As lojas podem investir em acessibilidade, boa iluminação, corredores amplos, sinalização de fácil leitura e ambientes mais confortáveis”, enfatizou.

O atendimento exigirá equipes preparadas para ouvir, orientar e construir relações de confiança, livres de estereótipos relacionados à idade. Ao mesmo tempo, as empresas precisarão desenvolver políticas capazes de atrair, reter e valorizar profissionais mais experientes, aproveitando sua qualificação e experiência para fortalecer equipes multigeracionais.

Para a presidente, em uma cidade onde praticamente um terço da população já tem mais de 50 anos, adaptar-se à economia da
longevidade deixa de ser apenas uma tendência e passa a ser uma estratégia de competitividade. “Compreender quem será o consumidor predominante nas próximas décadas e reconhecer que essa transformação também já está presente dentro das próprias empresas será um diferencial para o varejo que pretende crescer em um mercado cada vez mais maduro”, finalizou.

 


 

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