Levantamento apresentado pelo economista Jaime Vasconcelos à EPTV mostra avanço das grandes empresas, mas reforça importância dos pequenos negócios para a geração de empregos na cidade
Os pequenos comércios de Campinas continuam sendo os maiores geradores de empregos do varejo, apesar de terem perdido participação para as grandes empresas ao longo da última década. A constatação faz parte de um levantamento realizado pelo Departamento Econômico do SindiVarejista Campinas e Região, apresentado pelo economista Jaime Vasconcelos em reportagem exibida pela EPTV 1 na última semana.
O estudo analisou a evolução do mercado varejista campineiro entre 2015 e 2025 e identificou mudanças importantes na estrutura do setor, especialmente no período pós-pandemia. Embora os pequenos negócios ainda concentrem a maior parte da mão de obra empregada no comércio, as grandes empresas ampliaram sua participação na geração de empregos.
Segundo os dados, em 2015 as empresas com até 99 funcionários eram responsáveis por 81% dos postos de trabalho do comércio em Campinas. Já os estabelecimentos com mais de 100 colaboradores respondiam por 19% das vagas.
Dez anos depois, o cenário mudou. Em 2025, os pequenos e médios negócios passaram a concentrar 74% da mão de obra do setor, enquanto as grandes empresas ampliaram sua participação para cerca de 25%.
Apesar da redução percentual, os números demonstram que os pequenos negócios seguem como a principal força empregadora do varejo campineiro.
“O pequeno comércio continua sendo o grande responsável pela geração de empregos na cidade. O que observamos é uma perda de participação relativa ao longo dos últimos anos, refletindo uma fragilidade maior diante das transformações do mercado e da concorrência das grandes empresas”, explica Jaime Vasconcelos.
O levantamento mostra ainda que, em 2015, a cada cinco empregos gerados pelo comércio, cerca de quatro estavam concentrados em empresas com até 100 funcionários. Em 2025, essa proporção caiu para aproximadamente três em cada quatro vagas.
De acordo com o economista do SindiVarejista, diversos fatores ajudam a explicar essa mudança no perfil do varejo campineiro.
Entre eles estão as dificuldades históricas enfrentadas pelos pequenos empresários para acessar crédito em condições mais favoráveis, realizar investimentos em tecnologia e modernizar processos de gestão.
Nos últimos dez anos, a rápida digitalização das empresas e dos hábitos de consumo também acelerou essa transformação.
“As empresas maiores possuem melhores condições técnicas e financeiras para se adaptar a um ambiente cada vez mais digitalizado. Isso permitiu uma resposta mais rápida às mudanças no comportamento do consumidor e nos canais de venda”, destaca Vasconcelos.
O estudo aponta que os segmentos que mais perderam participação ao longo da década foram os de vestuário, acessórios e lojas de variedades, incluindo utilidades domésticas.
A concorrência com grandes redes, marketplaces e plataformas digitais alterou significativamente a dinâmica desses setores, exigindo novas estratégias dos pequenos comerciantes para manter a competitividade.
Para Jaime Vasconcelos, não existe uma solução única capaz de reverter esse cenário. O fortalecimento dos pequenos negócios passa por uma combinação de ações voltadas à inovação, presença digital e relacionamento com os consumidores.
“O comércio precisa ampliar seus pontos de contato com o cliente. Estar presente nas redes sociais, no WhatsApp e nos marketplaces é fundamental. Não é uma questão de escolher entre o físico e o digital. Hoje, o sucesso está na integração dos dois canais”, afirma.
O economista destaca ainda que o consumidor moderno busca mais do que produtos. A experiência de compra, a qualidade do atendimento e o relacionamento personalizado se tornaram diferenciais competitivos importantes para os pequenos comerciantes.
“O atendimento consultivo continua sendo uma grande vantagem do comércio físico. O consumidor quer conveniência, qualidade e uma boa experiência. O pequeno varejista pode transformar isso em um diferencial competitivo relevante”, conclui.
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